Depois de dois meses sem ataques diretos entre os dois países, Irã e Israel trocaram disparos novamente na semana passada, reafirmando que a cessação de hostilidades era suspensão de fogo temporária, nunca encerramento do conflito. O que mais impressionou analistas foi que Teerã conseguiu manter capacidade operacional depois que Estados Unidos e Israel reivindicaram ter atingido mais de 13 mil alvos no território iraniano em campanhas anteriores. Isso levantou a pergunta incômoda: ou os bombardeios foram menos eficazes que apresentado, ou a resiliência da defesa aérea iraniana é superior ao calculado.
A retomada dos ataques revela a dificuldade da administração Trump em impor sua vontade sobre a dinâmica do conflito. O presidente americano tentava manter Israel contido enquanto simultaneamente enfraquecia o Irã economicamente, como se fosse possível separar a pressão militar da pressão diplomática quando ambos os lados consideram a outra uma ameaça existencial. Cada lado aguarda o próximo passo do adversário. Israel não quer ver o Irã rearmado; Irã não quer ser encurralado sem capacidade de resposta. O impasse permanece sem resolução clara, porque nenhuma quantidade de bombardeios convenceu o outro lado a abandonar sua lógica de defesa.
Para Washington, isso significa que contenção do Irã exigirá mais do que operações militares. Será necessário redesenhar a arquitetura de poder no Oriente Médio de forma que Teerã não veja a escalada como única opção. Esse é exatamente o tipo de trabalho que Trump reluta em fazer, preferindo aplicar máxima pressão e esperar que o adversário ceda. O que acompanhar: novos ataques preventivos de Israel contra instalações militares iranianas.
