A guerra na Ucrânia deixou de ser apenas um confronto de tanques e artilharia para se tornar um imenso laboratório de voos automatizados. O uso cada vez maior de drones guiados por inteligência artificial está mudando a dinâmica do combate. Diante dessa realidade, a OTAN, a aliança militar ocidental liderada pelos Estados Unidos, precisou mudar seus planos de segurança. Na recente cúpula em Washington, a organização definiu uma nova política de defesa cibernética baseada em inteligência artificial para detectar ameaças e dar respostas automáticas.
No campo de batalha ucraniano, máquinas pequenas e baratas já decidem ataques em frações de segundo. Um drone que custa o equivalente a alguns milhares de dólares pode identificar, perseguir e atingir um alvo militar sem que um humano precise apertar o botão final. É o fim do limite humano de reação. Como a velocidade das máquinas na identificação de alvos passou a ser decisiva, o tempo que um exército leva para responder a um ataque encolheu drasticamente. Essa troca de comandos manuais por robôs inteligentes levanta debates éticos sérios sobre o limite das armas que pensam sozinhas.
A resposta da OTAN veio por causa de uma urgência prática. As Forças Armadas russas e ucranianas usam os drones para quebrar sistemas de comunicação e códigos de segurança inimigos a todo momento. A nova estrutura militar aprovada em Washington funciona como um escudo digital. A aliança militar passou a usar a própria tecnologia para rastrear ataques cibernéticos antes que causem estragos reais. Como bem definiu a Associated Press sobre os debates na cúpula, a inteligência artificial passou a ser o novo padrão para "detecção de ameaças e resposta automatizada".
A disputa por drones autônomos redefine a corrida armamentista global. Na prática, os Estados Unidos, a Rússia e a China despejam bilhões de dólares em empresas de tecnologia para criar armas cada vez mais espertas e rápidas. Vence quem tiver o melhor algoritmo e o maior domínio dos dados de combate. O objetivo militar é claro: processar informações do campo de batalha na velocidade da luz para destruir o adversário antes mesmo de ele conseguir mover suas tropas.
Apesar da corrida tecnológica furiosa, não existe um tratado global vigente que regule o uso dessas armas pensantes. Nações desenvolvidas querem manter suas vantagens de pesquisa tecnológica e resistem em assinar acordos que limitem suas invenções. O resultado é que a tecnologia de inteligência artificial avança muito mais rápido do que a diplomacia internacional. Fica cada vez mais difícil criar regras mundiais que proíbam máquinas de decidir sozinhas sobre a vida e a morte em uma guerra.
Por que importa: A militarização da inteligência artificial aquece a disputa global por microchips e componentes eletrônicos de altíssima tecnologia. Como o Brasil importa praticamente todos os semicondutores que consome, essa alta na procura mundial pressiona o preço de bens como celulares e computadores no comércio local. Além disso, quando as maiores economias do mundo desviam fortunas em dinheiro para a indústria bélica, sobram menos recursos para o comércio e para investimentos em países em desenvolvimento, o que dificulta o crescimento econômico brasileiro.
