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Oriente Médio·2 min de leitura

Hamas e Israel negociam trégua de dois meses em Gaza

ORIENTE MÉDIO
Hamas e Israel negociam trégua de dois meses em Gaza

Hamas e Israel avançam nas negociações de um cessar-fogo de dois meses em Gaza, impulsionados pelo esgotamento militar de ambos os lados e pela pressão internacional por uma saída diplomática. Mediadores internacionais, incluindo representantes do Catar e dos EUA, relatam progresso substancial nas conversas, com ambas as partes avaliando uma proposta que pausaria os combates por aproximadamente 60 dias.

O conflito, que eclodiu em outubro de 2023 após o ataque do Hamas a Israel, deixou a região devastada e as duas partes enfraquecidas. Israel enfrentou perdas significativas de soldados e limitações operacionais depois de meses de ofensiva em Gaza. O Hamas, por sua vez, sofreu golpes na estrutura de comando e perdeu capacidade de mobilização. Esse desgaste mútuo criou uma abertura diplomática que não existia nos primeiros meses da guerra.

A proposta em discussão vai além de um simples cessar-fogo. Ela contempla liberação de reféns mantidos pelo Hamas, passagem de ajuda humanitária para Gaza e, potencialmente, negociações sobre a reconstrução do território devastado. Mediadores descrevem as conversas como "as mais promissoras até agora", segundo relatos de fontes diplomáticas envolvidas nas negociações.

Mas o acordo enfrenta obstáculos reais. Facções dentro do Hamas discordam sobre os termos. Israel questiona se um cessar-fogo temporário de dois meses não se tornará permanente, deixando a questão do futuro de Gaza em aberto. Ambos os lados temem perder ganho político ao fazer concessões que seus apoiadores internos rejeitam.

A pressão internacional, vinda especialmente dos EUA e de países europeus, tem peso crescente. Washington sinalizou que mantém sua apoio a Israel, mas condiciona certos recursos à aceleração das negociações de paz. O Catar, mediador histórico entre Hamas e Ocidente, intensificou os contatos nas últimas semanas. Essa confluência de fatores explica por que as negociações saíram do impasse.

Se a proposta avançar, o cessar-fogo de dois meses seria seguido por negociações sobre o status permanente de Gaza, o destino do Hamas e as garantias de segurança de Israel. Nenhum acordo ainda foi fechado, mas a movimentação diplomática mostra que ambas as partes reconhecem que a via militar chegou a limites.

Por que importa: A escalada no Oriente Médio afeta preços de combustível e alimentos em escala global. Um cessar-fogo em Gaza reduziria o risco de expansão do conflito para o Irã, o Hezbollah e outras milícias, cenário que poderia disparar o petróleo e impactar diretamente a inflação brasileira, o preço da gasolina e a rentabilidade de setores exportadores dependentes de estabilidade cambial.

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