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Tecnologiasegunda-feira, 27 de julho de 2026·2 min de leitura

Brasil lidera movimento do Sul Global para não ficar para trás na IA

TECNOLOGIA
Brasil lidera movimento do Sul Global para não ficar para trás na IA

O Brasil está na frente de uma coalizão de mais de 30 países em desenvolvimento que quer ter voz ativa na governança global de inteligência artificial. O Itamaraty articula esse bloco durante a cúpula do G20, onde líderes discutem um tratado internacional para compartilhar poder computacional entre nações ricas e pobres. O objetivo é claro: evitar que o monopólio da IA por poucos países ricos crie um novo abismo de desigualdade tecnológica e econômica.

Hoje, o mercado de inteligência artificial está concentrado nas mãos de meia dúzia de potências. Os Estados Unidos dominam com empresas como OpenAI, Google e Meta. A China investe bilhões para acompanhar. Enquanto isso, países em desenvolvimento ficam dependentes de tecnologia importada, sem acesso ao poder computacional necessário para treinar seus próprios modelos de IA. É como se o mundo tivesse energia elétrica, mas apenas os ricos pudessem acender a luz.

A cúpula do G20 reconheceu que essa desigualdade é um problema político e econômico real. Os líderes discutem mecanismos para que nações em desenvolvimento tenham acesso compartilhado a recursos de processamento de dados, evitando que a revolução da IA aprofunde a pobreza global. A proposta brasileira vai além: regular quem controla os dados, quem lucra com a tecnologia e como os benefícios são distribuídos entre países.

O Brasil não está fazendo isso por altruísmo. É uma ponte natural entre o Sul Global e as potências ricas. O país tem economia relevante, influência diplomática reconhecida e interesses claros em não ficar refém de decisões tomadas em Washington ou Pequim. Além disso, o Brasil tem um trunfo: dados. Bilhões de dados de consumo, clima, saúde e agricultura podem alimentar modelos de IA locais, mas só se o país tiver acesso ao poder computacional para processá-los.

A negociação ainda é frágil. Os EUA e a China têm pouco interesse em compartilhar tecnologia ou poder computacional com competidores em potencial. Mas a pressão do Sul Global é crescente. Se 30 países exigem regras novas, não dá para simplesmente ignorar. O resultado provavelmente será um acordo morno, com compromissos vágos, mas a porta abriu. Pela primeira vez, países em desenvolvimento estão na mesa de negociação sobre IA como atores, não como espectadores.

Por que importa: A inteligência artificial vai definir quem prospera e quem fica para trás nos próximos anos. Se o Brasil não tiver acesso a poder computacional e não souber usar seus próprios dados, o país vai importar soluções de IA prontas e caras, perdendo oportunidades de inovação local, empregos bem pagos e soberania tecnológica. Uma regulação global justa sobre IA agora é a diferença entre o Brasil ser criador ou apenas consumidor de tecnologia daqui a dez anos. E isso mexe direto com crescimento econômico, educação e competitividade das empresas brasileiras.

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