Os rebeldes Houthis do Iêmen mantêm ataques constantes a navios comerciais no estreito de Bab el-Mandeb, um dos pontos de passagem mais importantes do comércio mundial. O estreito liga o Mar Vermelho ao Canal de Suez, e o assédio obrigou grande parte das empresas de transporte a desviar seus navios para rotas bem mais longas. Ao mesmo tempo, a OPEP+, cartel que reúne os principais países produtores de petróleo, decidiu manter cortes na produção. O resultado é um aperto duplo no mercado que sustenta o preço do barril acima de 80 dólares.
Os Houthis são um grupo armado que controla o norte do Iêmen e conta com apoio do Irã. Desde o fim do ano passado, passaram a atacar embarcações no Mar Vermelho como forma de pressionar Israel e seus aliados ocidentais. Os tiros e os sequestros de navios transformaram uma rota rápida e essencial em uma zona de alto risco, elevando drasticamente os custos logísticos globais.
O problema é que o desvio das embarcações acontece justamente quando a oferta de combustível já está sendo controlada. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados, grupo conhecido pela sigla OPEP+, confirmou a manutenção de uma redução voluntária de 2 milhões de barris por dia. Ao retirar esse volume do mercado, o cartel evita que o excesso de oferta derrube os lucros dos países produtores.
A combinação desses dois fatores cria um efeito dominó. Com o mar perigoso e menos petróleo circulando, os fretes marítimos ficam mais caros e o preço da matéria-prima se mantém no alto. O transporte de containers pelo Cabo da Boa Esperança, na África, demanda mais dias de viagem, exige mais combustível e eleva o custo dos seguros das embarcações.
A permanência dos preços do barril acima de 80 dólares preocupa governos e empresas no mundo inteiro. O petróleo é a base da economia global e serve de referência para o valor de incontáveis produtos, desde a gasolina até o plástico das embalagens. Quando o combustível fica mais caro, a conta chega ao consumidor na forma de inflação, forçando bancos centrais a manterem taxas de juros altas por mais tempo.
Por que importa: o Brasil importa parcela significativa do diesel e de outros derivados que consome, o que torna o preço internacional do barril um termômetro direto para os combustíveis nos postos brasileiros. Além disso, o encarecimento do frete marítimo pressiona o custo de produtos importados, de peças de carros a eletrônicos. Com o real perdendo valor frente ao dólar diante de crises externas, a conta do supermercado e o valor do frete de transportadoras tendem a subir, impactando diretamente o bolso do brasileiro.
