O governo brasileiro anunciou um investimento de 23 bilhões de reais em infraestrutura de dados para inteligência artificial, enquanto líderes do G20 discutem como governar a tecnologia em escala global. A coincidência não é casual: países em desenvolvimento tentam garantir um lugar na revolução que já redesenha o poder mundial.
O plano brasileiro prevê a construção de centros de processamento de dados, os chamados data centers, e investimentos em conectividade. O objetivo é reduzir a dependência externa em computação. Hoje, quem controla a infraestrutura física de inteligência artificial controla também o fluxo global de informações e a capacidade de inovar.
Simultaneamente, a cúpula do G20 coloca duas questões no centro da agenda: a governança global da inteligência artificial e o financiamento para a transição energética. Os países do Sul Global defendem regras que não os deixem em posição desvantajosa, temendo uma repetição do que ocorreu com outras tecnologias transformadoras no passado.
A discussão sobre inteligência artificial se entrelaça com a pauta de energia. Centros de processamento de dados consomem enormes quantidades de eletricidade. Países em desenvolvimento argumentam que precisam de financiamento e transferência de tecnologia para participar da corrida sem comprometer seus compromissos climáticos.
Para o Brasil, a aposta é dupla. O país tem matriz elétrica predominantemente renovável, o que pode atrair investimentos em infraestrutura digital sustentável. Ao mesmo tempo, busca influenciar as regras globais desde a fase de formulação, e não apenas como receptador de tecnologias criadas em outros lugares.
Por que importa: quem chega atrasado à revolução da inteligência artificial paga caro por ela. Hoje, serviços essenciais no Brasil já dependem de servidores no exterior, o que encarece operações e gera vulnerabilidades. Reduzir essa dependência significa mais soberania sobre dados estratégicos, possibilidade de desenvolver soluções para problemas locais e melhor posição nas negociações comerciais que vão moldar a economia nas próximas décadas.
