Olh no Mundo
Geopolítica & Economia
O Essencial de Hoje +++
Brent em US$ 87.38/bbl·Risco baixo·Brent em US$ 87.38/bbl·Risco baixo·
Tecnologia·2 min de leitura

Guerra dos chips: enquanto negociam em Genebra, Japão lucra com a corrida

TECNOLOGIA
Guerra dos chips: enquanto negociam em Genebra, Japão lucra com a corrida

Representantes dos EUA e China se reúnem em Genebra para discutir tarifas e barreiras tecnológicas em semicondutores, tentando frear a escalada comercial. Ao mesmo tempo, do outro lado do mundo, o Japão amplia as exportações de equipamentos de litografia, as máquinas que fabricam chips. Enquanto as negociações buscam limitar a corrida pela inteligência artificial, os fabricantes japoneses lucram vendendo as ferramentas que ninguém consegue substituir.

A litografia é o coração invisível dessa disputa. São máquinas do tamanho de um ônibus, capazes de gravar circuitos menores que um fio de cabelo, que custam centenas de milhões de reais cada uma. Quem as fabrica controla, na prática, o acesso à tecnologia de ponta. O Japão domina esse mercado através de empresas como Canon, Nikon e Tokyo Electron, praticamente sem concorrência global. Por isso, toda vez que os EUA tentam bloquear chips chineses, a demanda pelos equipamentos de litografia apenas aumenta, já que todo país que quer fabricar semicondutores precisa delas.

A procura explodiu nos últimos meses. A nova geração de chips HBM4, memórias de altíssima velocidade essenciais para sistemas de inteligência artificial, entrou em produção. Gigantes da tecnologia como NVIDIA, Google e Amazon já garantiram contratos para essas memórias. Com essa demanda crescente, os japoneses conseguem vender seus equipamentos para diferentes regiões, diversificando clientes e reduzindo riscos. É como vender pás na corrida do ouro: independentemente de quem ganha a disputa geopolítica, alguém precisa das ferramentas.

As negociações em Genebra, segundo reportagens recentes, tentam discutir uma possível "corrida armamentista" em IA e exploram acordos internacionais de limitação tecnológica. Mas enquanto os diplomatas negoceiam restrições, as máquinas de litografia japonesas não param de rodar. Cada restrição americana reordena cadeias globais de produção, forçando outras regiões a investir em fabricação local de chips, e isso amplifica ainda mais a demanda pelos equipamentos que só o Japão sabe fazer bem.

Por que importa: Os equipamentos de litografia que o Japão vende são importados para fábricas de chips espalhadas pelo mundo. Quando esses equipamentos ficam mais caros ou sua disponibilidade cai (por causa de restrições comerciais), o custo de fabricação dos semicondutores sobe. Eletrodomésticos que chegam às lojas brasileiras, smartphones, televisores e computadores dependem desses chips. Uma corrida geopolítica pela IA, vista de Brasília, é também uma corrida que encarece a eletrônica vendida aqui.

Fontes