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Chips: a trégua que não encerra a corrida

TECNOLOGIA
Chips: a trégua que não encerra a corrida

Os EUA e a China anunciaram uma pausa parcial na guerra comercial sobre semicondutores. Washington e Pequim retomaram conversas sobre exportação de chips, sinalizando alívio tático numa disputa que paralisou bilhões em investimentos. Mas enquanto negociam, uma segunda corrida já avança nos bastidores: o Japão entra como novo terreno para fabricação de tecnologia de ponta, e Taiwan promete manter o ritmo apesar dos riscos geopolíticos.

A trégua vem depois de anos de embate direto. Os EUA haviam apertado as restrições à exportação de chips avançados para a China, temendo que a tecnologia alimentasse o poderio militar chinês. A China reagiu com controles sobre materiais raros, essenciais à indústria eletrônica americana. O resultado foi volatilidade no setor de tecnologia e incerteza para empresas de ambos os lados.

Agora, a conversa reabre uma porta, ainda que estreita. Analistas preveem que a volatilidade deve continuar porque nenhuma das duas potências cedeu no fundo. Os EUA mantêm a visão de que chips avançados são arma estratégica. A China segue buscando independência tecnológica. A trégua é real, mas frágil.

Enquanto isso, Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), a gigante que controla 54% da produção mundial de chips, anunciou uma nova fábrica no Japão com subsídio do governo japonês. A planta vai produzir wafers de 2 nanômetros, componentes tão pequenos que bilhões cabem na unha de um dedo. É a tecnologia mais avançada do planeta. O Japão, que tinha saído da corrida por chips há 30 anos, volta ao jogo com investimento estatal massivo. Taiwan promete manter o ritmo de produção apesar de estar cercada por riscos geopolíticos, com a China reclamando a ilha como território seu.

A movimentação japonesa não é coincidência. Washington quer diversificar a produção de chips fora da China, e também fora de Taiwan, que fica a menos de 200 quilômetros da costa chinesa. Uma fábrica no Japão, aliado próximo dos EUA, oferece segurança. Para a TSMC, dividir a produção entre dois países reduz o risco de uma única crise geopolítica parar tudo que depende de chips, desde celulares até armas.

A trégua entre Washington e Pequim, portanto, não congela a corrida. Apenas a reposiciona. Os EUA ganham tempo para reforçar alianças (como com o Japão), a China segue buscando autonomia tecnológica, e Taiwan, no meio disso tudo, vira ainda mais crítica para o mundo.

Por que importa: O Brasil importa tecnologia cara quando chips faltam no mercado global. Celulares, computadores, eletrodomésticos e equipamentos agrícolas enfrentam atrasos de produção quando a oferta de semicondutores cai. Uma fábrica no Japão vai levar anos para operar em escala, mantendo a demanda por chips taiwaneses. Se Taiwan sofrer uma crise, comercial, política ou militar, o preço dispara no Brasil, afetando desde o aparelho na sua mão até máquinas em fazendas e fábricas.

Fontes