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Calor recorde no sul da Ásia força negociação sobre clima na COP30

ENERGIA
Calor recorde no sul da Ásia força negociação sobre clima na COP30

O sul da Ásia enfrenta uma onda de calor sem precedentes enquanto um relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) aponta que o planeta passou 17 meses consecutivos acima de 1,5 graus Celsius em relação à era pré-industrial. A combinação torna a COP30, que será realizada em Belém em novembro, uma negociação muito mais acirrada: países em desenvolvimento que sofrem os piores impactos climáticos agora têm munição concreta para exigir metas mais duras das nações ricas.

A onda de calor que castiga o sul da Ásia não é um acaso. Índia, Paquistão e Bangladesh vivem temperaturas que quebram recordes históricos há semanas, causando interrupções no fornecimento de energia, crises de água e morte de pessoas. O relatório da OMM vem como prova científica de que o planeta não apenas aqueceu, mas que passamos (e seguimos passando) um limite que os países concordaram em 2015 que não deviam ultrapassar. Pense no 1,5 grau como uma febre que o corpo humano aguenta, mas acima disso começam os danos graves.

O ponto é que esse limite de 1,5 grau não era só um número escolhido no ar. Era uma promessa dos países ricos de que fariam o dever de casa para que nações pobres (que pouco causaram o problema) não sofressem sozinhas. Agora, com 17 meses seguidos acima desse teto, a credibilidade dessa promessa evaporou. Delegações do sul da Ásia, África e Caribe chegam à COP30 com dados na mão e argumentos muito mais fortes: "Vocês falharam. Precisamos de regras com dente, que punam quem descumpre metas de emissões, e de grana real para nós nos adaptarmos."

A dinâmica muda tudo em Belém. Na prática, a discussão sai do plano das boas intenções e entra no da responsabilidade financeira. Países em desenvolvimento exigem que os ricos se comprometam a desembolsar muito mais dinheiro em fundo climático para que eles reduzam emissões e se adaptem aos efeitos que já estão acontecendo. E agora têm o argumento que faltava: "Olhem só o sul da Ásia. Isso é o futuro de vocês se não fizerem nada."

Os países ricos tentarão, como sempre, negociar metas "realistas" e parcelamentos de compromissos. Mas a OMM fechou a porta para essa conversa. O relatório é claro: ultrapassamos o limite que todos prometeram respeitar. Isso muda o tom. A pressão diplomática fica real porque as vítimas estão pedindo contas, e a ciência está ao lado delas.

Por que importa: O preço dos alimentos, da energia e dos materiais que chegam ao Brasil depende de como esses países lidam com o clima. Se o sul da Ásia sofrer colapsos de produção (água, energia, safras), o custo dessas importações sobe para o Brasil. Além disso, Belém é palco dessa negociação: o Brasil negocia sua posição como país tropical vulnerável e grande detentor de floresta. Quanto mais duro for o compromisso assumido pelos ricos em relação ao clima, mais crível fica o discurso brasileiro de proteção da Amazônia na mesa internacional.

Fontes

  • Onda de calor recorde no sul da Ásia antecede relatório climático da ONU · The Guardian