A coordenação militar entre Estados Unidos e Israel na guerra contra o Irã atingiu um nível de integração sem precedentes. O ex-comandante da Força Aérea israelense, Amir Ashel, e o ex-conselheiro do Departamento de Estado americano, Eliot Cohen, avaliaram que as operações conjuntas revelam um aprendizado operacional profundo entre os dois exércitos. Os ataques americanos a instalações militares iranianas se intensificaram, e o Kuait foi atingido por fogo de drones e mísseis em retaliação.
A operação conjunta não serve apenas para neutralizar o programa nuclear e a influência regional de Teerã. Ela funciona como uma demonstração de força destinada a remodelar a arquitetura diplomática de toda a região, forçando países vizinhos a escolher lados sob pressão. O presidente americano, Donald Trump, elevou essa estratégia ao condicionar o fim do conflito à adesão de aliados aos Acordos de Abraã, os tratados de normalização de relações entre Israel e países árabes iniciados em 2020. Durante uma chamada com líderes do Oriente Médio e Norte da África, Trump apresentou a exigência. A embaixadora Barbara Leaf relatou que a proposta foi recebida com um "silêncio atônito" pelos participantes.
A pressão militar cria uma tentativa de realinhamento forçado, mas gera resistência profunda. Paralelamente, Israel negocia o futuro da sua fronteira norte em conversas diretas com o Líbano, com mediação dos Estados Unidos. O governo israelense exige o desarmamento do Hezbollah, o braço armado libanês financiado pelo Irã. O governo libanês exige a retirada das tropas israelenses e o fim dos bombardeios em território libanês. Segundo o especialista Assaf Orion, do Washington Institute, as duas agendas colidem de frente. Enquanto a guerra no Irã avança, a doutrina de segurança israelense assume um tom mais agressivo. Um debate promovido pelo Carnegie Endowment aponta que essa postura traz consequências imprevisíveis para o equilíbrio regional, especialmente diante da possibilidade de abertura de novas frentes de combate.
