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Sudão: A Guerra que o Mundo Esqueceu

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Sudão: A Guerra que o Mundo Esqueceu

O conflito no Sudão completou três anos e gerou a segunda maior crise de deslocamento forçado do planeta. São 9 milhões de refugiados e deslocados internos, um número que equivale a quase um quarto da população sudanesa. A guerra opõe o Exército Sudanês, leal ao governo de transição, às Forças de Apoio Rápido, uma milícia paramilitar rival. O território está fragmentado, a infraestrutura hospitalar entrou em colapso e a fome avança.

A violência se alimenta da absoluta ausência de pressão internacional por um cessar-fogo. As potências ocidentais e os países árabes desviaram seus esforços diplomáticos e seus recursos de inteligência para o Irão e para a Ucrânia. O Sudão não possui petróleo em escala global nem posição estratégica capaz de provocar um choque nas economias dos países ricos. A guerra no Sudão opera na mesma lógica de uma crise de saúde pública ignorada até que vire uma epidemia incontrolável. Sem intervenção externa, os grupos armados locais não têm incentivo para negociar a paz.

Os grupos armados sudaneses aproveitam o vácuo diplomático para buscar financiamento e armas de potências regionais que atuam nas sombras. O conflito se internacionaliza na prática, mas sem o debate diplomático público necessário para contêlo. Enquanto a comunidade internacional não alocar atenção política e recursos para a África, a violência no Sudão funcionará como um laboratório de brutalidade que alimenta a instabilidade de países vizinhos como Chade e República Centro-Africana.