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Coreia do Norte lança míssil e avisa que está de olho nos EUA

INDO-PACÍFICO
Coreia do Norte lança míssil e avisa que está de olho nos EUA

A Coreia do Norte testou um míssil balístico de longo alcance esta semana, num gesto que funciona simultaneamente como ameaça militar e moeda de troca diplomática. O lançamento reafirma que Pyongyang segue desenvolvendo seu arsenal, e que está lado a lado com Moscou e Pequim numa divisão de poder que a cada dia marginaliza mais os EUA na Ásia.

Esses testes não acontecem por acaso. O regime de Kim Jong-un usa cada lançamento como uma mensagem: primeiro, mostra capacidade tecnológica para os vizinhos (Coreia do Sul e Japão ficam em alerta); segundo, sinaliza disponibilidade para negociar com Washington, já que o programa nuclear é praticamente o único ativo que tem para trocas diplomáticas. Funciona assim: demonstra força → EUA oferecem conversa → Pyongyang colhe concessões.

Mas há um pano de fundo maior. A Coreia do Norte vem se aproximando cada vez mais de Moscou, a Rússia enfrenta sanções severas por causa da guerra na Ucrânia e precisa de fornecedores. Pequim, por sua vez, não se mexe para pressionar Kim Jong-un porque preferir um aliado turbulento na Ásia do Leste a um vácuo que os EUA preencham. Quanto mais isolada a Coreia do Norte fica das potências ocidentais, mais confortável ela fica junto aos dois gigantes rivais de Washington.

O teste desta semana não é isolado, é parte de um padrão crescente de assertividade de Pyongyang. Cada lançamento força a Casa Branca a escolher: investe mais segurança na região (caríssimo, diplomaticamente desgastante) ou tenta negociar (o que Pyongyang interpreta como fraqueza e usa para pedir mais).

Por que importa: O Brasil importa pouca coisa da Coreia do Norte, mas essa escalada afeta o dólar no seu bolso. Tensões na Ásia assustam investidores e provocam fuga de capital dos países emergentes, justamente onde o Brasil está. Além disso, se as negociações EUA-Coreia do Norte fracassarem, o risco de conflito armado no Pacífico fica real, o que desorganiza cadeias globais de tecnologia, chips e componentes que as indústrias brasileiras precisam. Uma guerra na Ásia é uma crise econômica por aqui também.

Fontes

  • Coreia do Norte realiza novo teste de míssil balístico · AP News