Investidores injetaram US$ 87 bilhões em startups de inteligência artificial no acumulado de 2025, um recorde que já supera todo o ano de 2024. O motor dessa fortuna é uma disputa estratégica por infraestrutura física, onde a fabricante de chips NVIDIA vale agora mais de US$ 5 trilhões e se tornou a peça central de uma nova corrida armamentista global.
O dado da agência Bloomberg ilustra a dimensão desse poder: a NVIDIA vale hoje mais do que as cinco maiores empresas brasileiras somadas. Toda vez que uma empresa de tecnologia treina um modelo de inteligência artificial, ela precisa de processadores semicondutores de altíssimo desempenho para dar conta do volume de dados. A empresa concentra o domínio dessas máquinas e, consequentemente, decide o ritmo em que o mundo avança nessa área.
Do total captado pelas startups de IA em 2025, cerca de 60% foi destinado a infraestrutura e chips, segundo dados da plataforma Crunchbase. O dinheiro não está indo apenas para aplicativos de bate-papo, mas para a construção dos gigantescos centros de dados que sustentam a tecnologia. Quem controla essa base física detém uma vantagem estratégica decisiva sobre como o poder computacional será distribuído entre as nações nas próximas décadas.
A tensão industrial também aparece nas grandes aquisições corporativas. A Microsoft finalizou a compra da Inflection AI por US$ 650 milhões com o objetivo claro de fortalecer seu portfólio de inteligência artificial. A equipe técnica da startup comprada foi integrada ao time do software Copilot, mostrando que as grandes empresas de tecnologia estão comprando talentos e patentes para não ficar para trás nessa corrida.
O direcionamento de volumes recordes de capital para o setor aponta para um cenário em que o progresso da inteligência artificial depende cada vez mais de insumos concretos. O controle sobre a fabricação de semicondutores e o domínio dos centros de processamento de dados se desenharam como a verdadeira linha de frente tecnológica entre os Estados Unidos, a China e o restante do mundo.
Por que importa: o Brasil não fabrica os chips avançados que abastecem essa revolução tecnológica e importa praticamente toda a sua base de semicondutores. A concentração dessa infraestrutura física em pouquíssimos países deve encarecer a modernização da indústria nacional, afetando desde a atualização de sistemas de bancos até o preço de celulares e computadores no varejo.