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Geopolíticaquarta-feira, 29 de julho de 2026·2 min de leitura

China aperta o cerco das terras-raras enquanto EUA corre para diversificar suprimentos

GEOPOLÍTICA
China aperta o cerco das terras-raras enquanto EUA corre para diversificar suprimentos

A China respondeu às tarifas americanas com uma jogada que atinge direto o coração da tecnologia ocidental: restrições à exportação de terras-raras, minerais essenciais para a fabricação de semicondutores e chips avançados. O movimento marca uma escalada na disputa comercial entre as duas potências e revela que a verdadeira batalha não é só sobre preços, mas sobre quem controla os componentes que alimentam a economia digital global.

As terras-raras são elementos químicos raros usados em praticamente todo chip moderno, de smartphones a sistemas de defesa. A China domina cerca de 70% da produção mundial e controla a maior parte do processamento desses minerais. Ao apertar as exportações, Pequim não está apenas revidando tarifas: está mostrando que pode estrangular a capacidade de qualquer país de produzir tecnologia de ponta. É como se controlasse o cano por onde passa o petróleo da era digital.

Os Estados Unidos já viam isso vindo. Por isso, anunciaram em parceria com a Coreia do Sul um acordo de US$ 50 bilhões focado exatamente nisso: criar uma cadeia de semicondutores resiliente fora da órbita chinesa e reduzir a dependência de Taiwan, ilha que produz a maior parte dos chips mais avançados do mundo. O acordo funciona como um plano B geopolítico. Se não conseguem conter a China pelo comércio tradicional, vão tentar construir alternativas de suprimento que fujam do cerco.

O problema é que descentralizar a produção de chips não é rápido nem barato. Taiwan leva anos investindo para manter sua liderança tecnológica, e a Coreia do Sul, embora seja uma potência em semicondutores, ainda depende de materiais-primas e tecnologias que passam por Pequim de uma forma ou outra. O acordo EUA-Coreia é importante, mas não resolve a questão imediatamente. Será um jogo de anos.

Enquanto isso, a dinâmica demográfica muda o tabuleiro de forma silenciosa. A população chinesa está encolhendo, enquanto a Índia deve manter crescimento até 2100, segundo a ONU. Menos chineses significa menor consumo interno, o que pode fazer Pequim depender ainda mais de exportações, incluindo terras-raras, para manter sua máquina econômica funcionando. China e Índia podem virar competidoras ainda mais intensas pela influência tecnológica global.

Por que importa: O Brasil depende de importações de chips e tecnologia, e está preso na mesma rede de suprimentos. Se a China apertar ainda mais as exportações de terras-raras, isso encarece componentes eletrônicos aqui, desde computadores a equipamentos industriais. Além disso, o país tem jazidas de terras-raras ainda pouco exploradas. Enquanto EUA, China e Coreia brigam pelo controle, o Brasil poderia ser um player nesse jogo, mas só se decidir investir em mineração e processamento desses materiais. Por enquanto, fica na torcida.

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