A União Europeia aprovou neste mês regras duras para a inteligência artificial, o G20 discute um conjunto de normas globais para a tecnologia e pesquisadores alertam para o risco de deepfakes em pelo menos 40 eleições marcadas para 2025. Três frentes distintas correm em paralelo com a mesma urgência: impor limites à IA antes que ela escape do controle de governos e sociedade.
O motor da reação está em Bruxelas. A União Europeia finalizou a implementação do AI Act, a lei de inteligência artificial mais ambiciosa do mundo. A norma obriga empresas a serem transparentes sobre como seus sistemas funcionam e a proteger dados dos cidadãos. Quem descumprir as regras enfrenta multas pesadas: até 7% do faturamento global. É como se uma empresa que fatura 100 bilhões de dólares pudesse ter que desembolsar 7 bilhões por violações. A punição financeira deixa claro que a brincadeira é séria.
Ao coordenar essas regras globais, o G20 tenta evitar que o mundo vire um campo sem lei. Líderes do grupo avançam em uma estrutura internacional de regras para a inteligência artificial, com foco em transparência e proteção de dados. O desafio é enorme porque cada país tem interesses próprios. Estados Unidos quer proteger o desenvolvimento comercial de suas gigantes de tecnologia. China prioriza o controle estatal. Europa aposta na proteção do cidadão. Encontrar um denominador comum entre potências tão diferentes é o calcanhar de Aquiles de qualquer acordo global.
Enquanto diplomatas negociam, a tecnologia avança mais rápido que a legislação. Um estudo publicado pela revista Nature identificou o uso crescente de deepfakes, que são vídeos ou áudios falsos muito convincentes, e de robôs automatizados em campanhas eleitorais pelo mundo. "O uso de deepfakes e bots em pelo menos 40 eleições programadas para 2025 representa uma ameaça direta à integridade do processo democrático", alertaram os pesquisadores responsáveis pelo levantamento. A falsificação da imagem e da voz de políticos pode enganar eleitores em massa horas antes da votação, quando já não há tempo para desmentir.
Por que importa: O Brasil não está imune a essa corrida. Com eleições presidenciais previstas para 2026, o país já vê o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se mobilizando para combater o uso de inteligência artificial para espalhar mentiras nas redes sociais. A regulação da tecnologia no Brasil ainda engatinha. Se o país não acompanhar a velocidade das normas europeias e das discussões do G20, corre o risco de chegar ao próximo ciclo eleitoral desarmado contra a manipulação digital, com efeitos diretos na confiança nas urnas e na estabilidade das instituições.
