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OPEP+ abre os torneiras: petróleo tipo Brent cai abaixo de US$ 70 e deve baratear energia no mundo

ENERGIA
OPEP+ abre os torneiras: petróleo tipo Brent cai abaixo de US$ 70 e deve baratear energia no mundo

O petróleo tipo Brent, principal referência de preço do mercado internacional, caiu para menos de 70 dólares o barril. A queda direta é consequência de uma decisão geopolítica clara: a OPEP+, organização que reúne os principais países exportadores de petróleo do mundo, decidiu aumentar a produção de combustível e inundar o mercado com uma oferta maior de matéria-prima.

A OPEP+ é um bloco coordenado por nações como Arábia Saudita e Rússia. Em anos e meses recentes, o cartel restringiu a produção de petróleo de forma deliberada para forçar a alta dos preços e aumentar a própria receita. Agora, o movimento é no sentido oposto. Ao bombear mais barris para o mercado global, os países membros criam um cenário de oferta farta e derrubam o valor do commodity no mercado internacional.

A redução do preço do combustível funciona como um alívio imediato para a economia global. O barril de petróleo mais barato barateia o custo de energia elétrica, de transporte de mercadorias e de produção industrial em diversas cadeias. Os maiores beneficiados são os países importadores, que dependem da compra de combustível no exterior para manter o funcionamento de suas economias e agora gastam menos dólares para garantir o suprimento.

Com a energia custando menos, a expectativa dos analistas de mercado é de uma queda na inflação mundial. O petróleo é um insumo essencial para quase todas as atividades econômicas, desde a logística de fretes até a fabricação de plásticos e fertilizantes agrícolas. A redução de seu valor de mercado alivia a pressão sobre os custos de produção em diferentes setores. Esse movimento econômico mais amplo abre caminho para que os bancos centrais de grandes potências reduzam as taxas de juros e impulsionem o crescimento.

O cenário, no entanto, traz uma contradição política para os membros do bloco. Aumento de produção exige investimento operacional e derruba o faturamento por barril vendido. O jornal Valor Econômico aponta que a oferta elevada da OPEP+ deve beneficiar os países importadores e ajudar a baixar a inflação global. É um jogo de poder em que a decisão de elevar a produção reorganiza as finanças do setor energético e redistribui vantagens econômicas entre os países consumidores.

Por que importa: o Brasil importa boa parte do diesel e do gás natural que consome, combustíveis que pesam diretamente no custo de vida da população. Com o barril mais barato no mercado internacional, a tendência natural é uma redução no preço do litro na bomba de combustível e uma queda nos custos do transporte rodoviário de cargas. Esse alívio financeiro no frete tende a frear o repasse de preços para produtos básicos nos supermercados, controlando a inflação brasileira e dando mais poder de compra ao salário do trabalhador.

Fontes