A China anunciou novas restrições à exportação de oito minerais estratégicos conhecidos como terras raras, golpeando diretamente a cadeia global de semicondutores. A medida atinge insumos essenciais para a fabricação de chips e veículos elétricos. No mesmo ritmo, as gigantes de tecnologia dos Estados Unidos acabaram de anunciar um investimento conjunto de 50 bilhões de dólares em infraestrutura de inteligência artificial. Os dois movimentos revelam uma disputa central do século 21: quem controla a tecnologia do futuro.
As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos com propriedades magnéticas e luminosas fundamentais para a indústria moderna. Apesar do nome, eles são abundantes na natureza, mas difíceis de minerar e refinar sem causar danos ambientais. A China domina cerca de 90% do refino global desses materiais, o que lhe dá um poder imenso sobre quem produz eletrônicos no mundo. Ao limitar as exportações, Pequim usa essa dependência como alavanca geopolítica.
A decisão chinesa restringe oito minerais específicos usados na fabricação de semicondutores e baterias de carros elétricos. Segundo o Financial Times, a indústria de chips deve sentir o impacto de forma quase imediata. A medida entra no bojo de uma guerra comercial em que Washington já proibiu a venda de equipamentos avançados de fabricação de chips para empresas chinesas. A resposta de Pequim ataca justamente a base da cadeia: a matéria-prima.
Do outro lado do Pacífico, a corrida tecnológica acelera o investimento privado. Microsoft, Google e Meta anunciaram um compromisso de 50 bilhões de dólares em infraestrutura de inteligência artificial nos Estados Unidos, conforme o Wall Street Journal. O plano prevê a construção de centros de dados e geração de energia limpa para alimentá-los. As empresas estimam a criação de 200 mil empregos nos próximos três anos.
A conexão entre os dois fatos é direta. A inteligência artificial que essas empresas querem desenvolver depende de semicondutores avançados, que dependem de minerais refinados na China. Os 50 bilhões de dólares em centros de dados perdem sentido se a cadeia de suprimentos de chips for interrompida. A disputa não é apenas comercial, mas envolve soberania tecnológica e segurança nacional.
Por que importa: o Brasil é o maior exportador mundial de nióbio, outro mineral essencial para ligas de aço e baterias, e tem reservas significativas de terras raras no estado do Amazonas. Conforme a disputa entre as duas maiores economias do mundo se intensifica, países com esses recursos ganham peso geopolítico. A escalada também pressiona o custo global de eletrônicos e pode afetar o preço de itens como celulares e carros no mercado brasileiro.