A OPEP+, cartel que reúne os principais países produtores de petróleo, decidiu manter os cortes voluntários de produção. Com menos barris no mercado, o preço do petróleo segue acima de 85 dólares. A decisão segura a receita de países exportadores e mantém a pressão sobre as economias que dependem do combustível importado. A recuperação da demanda na China, segundo a agência Reuters, é o fator que ajuda a sustentar esse patamar de preços.
No centro da decisão estão dois pesos-pesados: a Arábia Saudita e a Rússia. Riad lidera o grupo de países exportadores que forma o núcleo tradicional da OPEP. Moscou entrou no bloco ampliado (a chamada OPEP+, com o sinal de mais) e passou a cooperar com os sauditas no controle da oferta global. A parceria funciona como um cabo de guerra: os dois lados puxam juntos para segurar a produção e impedir a queda do preço internacional da commodity.
O mecanismo é direto. Quando os países produtores reduzem a quantidade de barris disponibilizada diariamente, a oferta encolche. Se a procura permanecer estável ou crescer, o valor cobrado por cada barril sobe. É exatamente o cenário atual. A economia chinesa, após um período de desaceleração, voltou a consumir mais combustível. Esse aumento do consumo asiático, combinado com os cortes planejados pelos integrantes do cartel, cria um caldo perfeito para a valorização do barril de petróleo no mercado internacional.
A estratégia conjunta de Riad e Moscou tem implicações que extrapolam as planilhas econômicas. Os dois países consolidam uma aliança geopolítica que lhes dá controle considerável sobre a energia mundial. Ao calibrarem a produção, os ministros do cartel ditam o ritmo de abastecimento do planeta. "A demanda chinesa em recuperação sustenta os preços acima de 85 dólares por barril", informou a agência Reuters ao detalhar os fundamentos técnicos que embasam a decisão da reunião ministerial do grupo.
O resultado é um mercado de energia tenso. Países europeus, que restringiram a compra de energia russa após o início do conflito na Ucrânia, precisam buscar fornecedores alternativos e acabam pagando mais caro pela substituição. Nações em desenvolvimento que importam a maior parte do combustível que consomem também sentem o impacto direto no balanço de pagamentos. A conta de importação fica mais pesada e o custo energético avança.
Por que importa: o Brasil produz a maior parte do petróleo que consome, mas ainda importa uma parcela do combustível para fechar sua matriz energética. Quando o barril passa de 85 dólares no mercado internacional, a gasolina e o diesel pressionam a inflação brasileira de baixo para cima. O preço na bomba do posto tende a subir, o custo do transporte de mercadorias aumenta e o bolso do consumidor sente o reflexo direto de uma decisão tomada a milhares de quilômetros de distância, nos palácios de Riad e Moscou.
