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US$ 47 bilhões contra a tarifa: Japão e Coreia do Sul apostam em chips

TECNOLOGIA
US$ 47 bilhões contra a tarifa: Japão e Coreia do Sul apostam em chips

Os Estados Unidos elevaram as tarifas sobre semicondutores importados para 25%, e a resposta veio rápida: Japão e Coreia do Sul anunciaram um acordo de cooperação que vai injetar US$ 47 bilhões em investimentos em fábricas de chips da Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) e da Samsung. O movimento é direto: à medida que Washington torna mais caro importar, os aliados asiáticos correm para produzir localmente e reduzir a dependência de Taiwan, a ilha que concentra a maior parte da manufatura de semicondutores avançados do mundo.

A tarifa americana não é um ato isolado. Faz parte de uma estratégia clara: forçar as fábricas de chips a voltarem para o território americano ou para aliados próximos aos EUA. Pra Tokyo e Seul, o custo dessa "amizade" é altíssimo. Mas o cálculo é simples: investir bilhões agora em capacidade produtiva própria custa menos do que ficar vulnerável a tarifas que podem subir ainda mais. "A segurança da cadeia de suprimento é tão importante quanto a eficiência", é o que dizem os documentos de estratégia industrial dos dois países, ainda que não literalmente.

Taiwan, enquanto isso, vive um paradoxo. A ilha acaba de reportar recordes de exportação de chips impulsionados pela explosão da demanda por inteligência artificial. As empresas americanas e globais precisam de seus processadores. Mas esses números recordes escondem uma ansiedade profunda: quanto tempo Taiwan conseguirá manter essa posição se os EUA, Japão e Coreia do Sul investem pesado em fabricação local? Os números de exportação são altos, mas aquém das expectativas mais otimistas, o que reacende o debate sobre quem realmente vai dominar a tecnologia de chips de próxima geração.

O que está em jogo é a soberania tecnológica. Durante décadas, o mundo aceitou que Taiwan fosse o gargalo. Fábricas menores lá, sim, mas o grosso da produção de chips avançados sai de Taipei. Agora os grandes poderes querem mudar isso. Os EUA querem capacidade doméstica. Japão e Coreia do Sul querem reduzir risco geopolítico. E a China, que não entra direto nessa conversa entre aliados ocidentais, olha para todos querendo fazer a mesma coisa e acelera seus próprios programas de semicondutores.

A corrida virou tripla: investimentos bilionários em fábricas novas, tensões comerciais crescentes entre Washington e Pequim, e Taiwan no meio disso tudo, o prêmio que todos querem controlar.

Por que importa: o preço que você paga por qualquer eletrônico depende dessa guerra. Se os chips ficam mais caros nos EUA e precisam ser feitos lá ou em aliados, o notebook, o celular, a placa de vídeo para games tudo fica mais caro para o consumidor brasileiro. Além disso, o Brasil importa componentes eletrônicos do exterior e depende de um mercado global de chips barato. Uma fragmentação dessa cadeia, com fábricas regionais menos eficientes, empurra a inflação de tecnologia pro nosso lado do Atlântico. E há ainda a questão da moeda: quanto mais os EUA aquecem tarifas, mais o dólar sobe globalmente, incluindo aqui. A tarifa de 25% não é uma notícia de Taiwan ou do Japão. É notícia do bolso do brasileiro.

Fontes