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UE e Mercosul: acordo comercial vira aposta de um mundo em blocos

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UE e Mercosul: acordo comercial vira aposta de um mundo em blocos

A União Europeia e o Mercosul retomaram as negociações finais de um acordo comercial que estava congelado há anos. A decisão marca uma mudança de estratégia dos dois blocos diante de um cenário global que se fragmenta: enquanto os Estados Unidos erguem tarifas e fecham as portas, Europa e América do Sul tentam montar uma aliança comercial que as proteja dessa turbulência.

O acordo entre a UE e o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) está na mesa desde 1999, mas travou em discussões sobre padrões ambientais, propriedade intelectual e acesso ao mercado agrícola europeu. Agora, com Donald Trump prometendo impor tarifas significativas sobre importações americanas e o comércio global se polarizando em blocos rivais, ambas as regiões enxergam na negociação uma oportunidade de criar uma zona de livre comércio que equilibre as forças. Para a Europa, fechando acordos antes que o protecionismo americano intensifique. Para o Mercosul, garantindo mercado fora do alcance das políticas de Washington.

O Brasil sai como peça central desse jogo. O agro brasileiro, especialmente carne bovina e suco de laranja, ganha acesso mais aberto ao mercado europeu, historicamente protecionista com produtos agrícolas. A indústria, manufaturados, químicos, autopeças, também se beneficia com a redução tarifária. Dados da Comissão Europeia apontam que o acordo potencialmente amplia o comércio bilateral em dezenas de bilhões de dólares anuais. Para a UE, ganho simétrico: acesso ao mercado sulamericano para máquinas, alimentos processados e serviços financeiros.

A retomada não é apenas comercial, é geopolítica. Com a China expandindo sua presença na América Latina através de investimentos e acordos preferenciais, e os EUA recuando sua atenção multilateral, a Europa tenta usar o comércio como ferramenta de influência. O Mercosul, por sua vez, sinaliza que não ficará refém de uma única potência. Um acordo UE-Mercosul criaria um bloco de cerca de 800 milhões de pessoas, peso não negligenciável nas negociações globais vindouras.

Os obstáculos permanecem reais. Negociadores europeus continuam pressionando por compromissos ambientais mais rigorosos, especialmente em relação ao desmatamento da Amazônia. Alguns países europeus, como a França, historicamente resistem a abrir o setor agrícola. Do lado do Mercosul, há tensão entre prioridades: Argentina quer proteção para sua indústria; Brasil busca acesso agrícola máximo. Mas o contexto global deixou claro: quem ficar fora de um bloco comercial coerente em 2025 fica vulnerável.

Por que importa: O acordo UE-Mercosul mexe diretamente no bolso do brasileiro. Um mercado europeu aberto significa mais demanda por carne, grãos e açúcar, produtos que alavancam o emprego no campo e nas cidades. Maior comércio reduz pressão inflacionária ao trazer concorrência internacional para setores como eletrônicos e autopeças. E economicamente, um Brasil integrado a um bloco comercial forte tem mais espaço para negociar com os EUA sem estar isolado. Se o acordo prosperar ainda em 2025, os sinais chegam à economia real em 2026.

Fontes

  • UE e Mercosul retomam negociação final do acordo comercial · European Commission