Olh no Mundo
Geopolítica & Economia
O Essencial de Hoje +++
Brent em US$ 92.20/bbl·Risco baixo·Brent em US$ 92.20/bbl·Risco baixo·
Geopolítica·2 min de leitura

Potências médias se reorganizam em coalizões menores e mais frágeis

GEOPOLÍTICA
Potências médias se reorganizam em coalizões menores e mais frágeis

Japão e Coreia do Sul selaram nesta semana um acordo histórico de fusão tecnológica que cria um gigante de defesa avaliado em US$ 120 bilhões, enquanto na Alemanha a extrema-direita consolida sua força nas eleições locais e desfaz a tradicional coalizão de governo. Os dois movimentos revelam o mesmo fenômeno: potências médias globais perdendo confiança na arquitetura de alianças do pós-Guerra Fria e correndo para blocos menores, mais ágeis, porém mais incertos.

O acordo entre Tóquio e Seul é inédito. Os dois países, historicamente rivais por questões territoriais e de memória colonial, estão colocando lado a lado suas indústrias de defesa, semicondutores e inteligência artificial. A fusão não é meramente comercial: é uma resposta direta à pressão chinesa na região e ao receio de que os Estados Unidos, sob uma possível administração Trump, reduzam seu compromisso com a segurança asiática. "Vamos nos defender sozinhos se preciso", é o recado implícito. Os US$ 120 bilhões em ativos e receita anual refletem a escala do apego mútuo.

Na Alemanha, o cenário é o oposto em forma, idêntico em essência. O Partido Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema-direita, cresceu significativamente nas eleições locais e minou o modelo de coalizões amplas que sustentou a política alemã por décadas. A tradicional "grande coligação" (União Democrática Cristã + Partido Social-Democrata) perde espaço. Governos regionais agora precisam de arranjos mais criativos e instáveis, com parceiros menores e ideologicamente distantes. A fragmentação politiza a alocação de poder.

O padrão global é claro: alianças tradicionais entram em crise porque países médios não confiam mais que as superpotências cuidarão de seus interesses. Japão e Coreia do Sul apostam em autonomia defensiva. Eleitores alemães punem o establishment e apostam em outsiders. Ambas as movidas reduzem a previsibilidade das relações internacionais.

Esses blocos menores tendem a ser mais frágeis. Uma coalizão entre dois países asiáticos é vulnerável a mudanças de liderança ou pressão externa. Governos regionais alemães com parceiros instáveis legislam com dificuldade. Mas essa fragilidade é justamente o ponto: é mais barato e rápido sair de um bloco pequeno do que de uma grande aliança. O mundo se torna mais pulverizado e reativo.

Por que importa: O Brasil depende tanto da estabilidade nos mercados de tecnologia (importamos componentes asiáticos) quanto da continuidade das normas comerciais multilaterais que a Alemanha ajuda a sustentar na Europa. Se Tóquio e Seul se fecham em um bloco defensivo asiático, componentes para eletrônicos e automóveis ficam mais caros ou restritos. Se a Alemanha enfraquece internamente, a União Europeia perde coesão, impactando as negociações comerciais que afetam exportações brasileiras de commodities. Além disso, um mundo de alianças frágeis significa menos previsibilidade para empresas brasileiras que operam globalmente.

Fontes

  • Japão e Coreia do Sul selam acordo de defesa tecnológica · Nikkei
  • Partido de extrema-direita ganha força nas eleições locais alemãs · DW