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Selic a 14,25% reflete a mesma turbulência que desafia a COP30

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Selic a 14,25% reflete a mesma turbulência que desafia a COP30

O Brasil apertou os juros para o maior nível desde 2006. O Banco Central elevou a Selic para 14,25% e sinalizou novo aumento na próxima reunião, enquanto o mercado precifica poucos cortes até o final de 2025. A decisão reflete o mesmo cenário que pressiona economias emergentes em todo o mundo: inflação de serviços resistente, dólar forte e um Federal Reserve americano sem pressa em recuar os juros. É neste contexto tenso que o Brasil se prepara para assumir o protagonismo climático global, com a COP30 marcada para Belém em um ano.

A turbulência externa não é acidental. O Copom, comitê do Banco Central responsável pela Selic, reconhece que pressões internacionais alimentam a inflação doméstica. O dólar forte encarece importações e eleva custos de produção. Ao mesmo tempo, o Fed americano mantém a cautela em seus comunicados, sinalizando "sem pressa" em cortes de juros. Isso mexe no apetite de investidores estrangeiros por ativos brasileiros e amplifica a volatilidade do câmbio. Para o Banco Central, apertar os juros é a ferramenta disponível para ancoragem inflacionária e defesa da moeda, mesmo que o custo caia sobre consumidores e empresas.

O efeito sobre a economia brasileira é imediato. Juros de 14,25% encarecem crédito para quem quer financiar carro, casa ou expandir negócio. O consumo perde força, investimentos recuam e o desemprego pode subir nos próximos trimestres. Não é um cenário de recessão, mas de desaceleração persistente: a economia segue funcionando, mas num ritmo mais lento e custoso. Pequenas e médias empresas sentem o aperto primeiro, já que dependem mais de crédito bancário.

Paralelo a isso, Belém corre contra o relógio. A cidade acelerou obras de infraestrutura, mobilidade e licenciamento ambiental para receber a COP30. Mas ambientalistas alertam sobre críticas ao ritmo de aprovações, temendo que projetos passem por avaliações simplificadas. O desafio é político e diplomático: o Brasil quer mostrar liderança climática global enquanto enfrenta pressões inflacionárias domésticas que tolhem investimentos em transição energética e preservação.

A confluência de cenários é rara. Quando juros sobem globalmente e o dólar se fortalece, economias emergentes enfrentam dilema: apertar a política monetária interna ou arcar com inflação importada. O Brasil escolheu apertar, mas isso reduz margem de manobra orçamentária para políticas climáticas ambiciosas. A COP30 será um palco importante, mas o Brasil vai chegar com as contas mais apertadas.

Por que importa: A Selic a 14,25% afeta diretamente o bolso do brasileiro. Crédito caro reduz poder de compra, especialmente de famílias de baixa renda que dependem de financiamentos. O dólar forte encarece combustível, alimentos importados e qualquer produto com componentes vindos do exterior, pressionando a inflação nos supermercados. Além disso, juros altos absorvem recursos que poderiam financiar investimentos em infraestrutura verde e energias renováveis. Para um país que se prepara para sediar a maior conferência climática do mundo, a pressão inflacionária vira um tropeço na busca por protagonismo.

Fontes