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Ucrânia: Moscou acelera ofensiva enquanto negocia trégua

GEOPOLÍTICA
Ucrânia: Moscou acelera ofensiva enquanto negocia trégua

A Rússia intensifica seus ataques no leste da Ucrânia justamente quando uma nova rodada de negociações, mediada pela Organização das Nações Unidas (ONU), ganha impulso. O movimento revela uma estratégia clara: ganhar terreno no campo de batalha antes de sentar à mesa de negociações, forçando Kiev a aceitar um acordo de posições menos vantajosas.

Nos últimos dias, as tropas russas avançaram em pontos críticos das regiões de Donetsk e Luhansk, capturando localidades menores e pressionando as defesas ucranianas. Simultaneamente, a ONU articula conversas focadas em cessar-fogo e troca de prisioneiros, sinais de que ambos os lados reconhecem o custo humano e econômico do conflito. A coincidência não é acidental: Moscou sabe que quanto mais terreno controlar antes de um possível acordo, melhor será sua posição diplomática.

A lógica por trás dessa pressão dupla é simples. Negociações internacionais raramente retornam às linhas de partida, elas congelam as linhas de frente. Se a Rússia conseguir avançar alguns quilômetros antes de um cessar-fogo, esses quilômetros viram território russo de jure no acordo final. Para Kiev, o desafio é triplo: manter a linha de defesa, não aparecer como obstáculo à paz (o que desgasta apoio internacional) e convencer seus aliados ocidentais a manter o suporte militar enquanto as negociações avançam.

Os EUA e a Europa dividem-se sobre o timing de um acordo. Washington pressiona por negociações que evitem uma escalada nuclear; a União Europeia teme que um cessar-fogo permita a Rússia consolidar ganhos e reagrupar forças. A Ucrânia, por sua vez, receia ser pressionada a ceder territórios para encerrar a guerra, especialmente se o cansaço econômico global apertar o cerco.

Historicamente, conflitos congelados como esse, sem resolução clara de fronteiras, perpetuam tensões. A negociação atual pode resultar em trégua temporária, não paz duradoura. Moscou segue apostando que o desgaste de Kiev e a fadiga do Ocidente forçarão concessões que, anos atrás, seriam inaceitáveis.

Por que importa: A Ucrânia compra energia da Europa, e o gás que alimenta a indústria brasileira passa por rotas que dependem da estabilidade europeia. Quanto mais longa a guerra, mais alto o preço da energia global, pressionando a inflação nos combustíveis e energia elétrica no Brasil. Além disso, a indefinição geopolítica afeta a confiança de investidores em mercados emergentes, mexendo no câmbio do real frente ao dólar.

Fontes

  • Conflito Ucrânia-Rússia: intensificação de ofensivas no leste · BBC