Olh no Mundo
Geopolítica & Economia
O Essencial de Hoje +++
Brent em US$ 95.61/bbl·Risco baixo·Brent em US$ 95.61/bbl·Risco baixo·
Oriente Médio·2 min de leitura

Gaza assiste à eleição israelense com medo do que pode piorar

ORIENTE MÉDIO
Gaza assiste à eleição israelense com medo do que pode piorar

Enquanto Israel se prepara para votar no próximo mês, em Gaza o clima é de apreensão. Palestinos acompanham a campanha eleitoral não por esperança de mudança, mas pelo temor de que uma possível vitória de candidatos mais linha dura aprofunde a guerra e estenda o sofrimento que já dura meses. A eleição israelense, vista de lá, não promete alívio: promete mais incerteza.

Jaser Abu Mousa, pesquisador sênior do Middle East Institute que acompanha de perto a situação em Gaza, descreve um quadro de devastação cotidiana. Prédios inteiros desabam sobre civis, muitos deles crianças. A infraestrutura que restou da guerra iniciada após o massacre de 7 de outubro de 2023 está danificada demais para funcionar. A fome é tanta que pessoas comem plantas. O deslocamento forçado é a normalidade. "A vida em Gaza hoje é sobre sobrevivência", explicou Abu Mousa em entrevista ao jornal The New Yorker, desenhando o cenário que os palestinos enfrentam enquanto acompanham, do outro lado, a campanha que decidirá quem governa Israel pelos próximos anos.

O medo não é abstrato. Palestinos em Gaza seguem cada movimento dos candidatos israelenses porque sabem que a política doméstica de Israel é a guerra deles. Se vencer um candidato que promete operações militares mais agressivas, Gaza sofre mais bombardeios. Se prevalecer quem fala em contenção, talvez haja trégua. A eleição não é sobre eles, mas afeta tudo em suas vidas. "Poucos acreditam que o voto mês que vem vai melhorar nossas condições", admitem palestinos ouvidos pela Al Jazeera English enquanto analisam a campanha com uma mistura de desânimo e vigilância.

O sistema político israelense, fragmentado entre blocos rivais, torna a eleição imprevisível. Candidatos competem apresentando-se como mais firmes na segurança ou mais dispostos ao confronto. Nenhum deles, porém, oferece aos palestinos perspectiva de paz próxima. O que muda de fato com cada eleição em Israel é o grau de intensidade da presença militar em Gaza, a frequência de operações e, por consequência, o número de vítimas civis e o aprofundamento da crise humanitária.

A destruição acumulada desde outubro tornou Gaza irreconhecível. Ruas inteiras foram arrasadas. Casas que abrigavam famílias viraram escombros. Os hospitais funcionam com energia de geradores. A água é escassa. Escolas viraram abrigos para deslocados. Nesse cenário, os palestinos sabem que uma mudança de governo em Israel pode significar uma intensificação ainda maior das operações militares, ou, no melhor dos casos, uma pausa que ninguém consegue garantir por quanto tempo durará.

Por que importa: Conflitos prolongados no Oriente Médio tendem a elevar o preço do petróleo global. Israel, cercado por instabilidades, mantém a região em estado de tensão constante. Quanto maior o risco de escalada, mais traders nos mercados de futuros elevam o preço do barril para se proteger. No Brasil, isso chega direto à bomba de combustível. Uma eleição em Israel que levasse a mais guerra em Gaza significa mais barril caro, mais dólar caro e mais pressão inflacionária na economia brasileira já desafiada.

Fontes