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Ucrânia: O verão letal onde a guerra substitui a diplomacia

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Ucrânia: O verão letal onde a guerra substitui a diplomacia

A onda de ataques mais mortífera no verão desde 2022 matou 16 pessoas nos dois lados da linha de frente ucraniana esta semana. Enquanto isso, o chanceler russo Sergei Lavrov acusa a Europa de bloquear negociações para encerrar o conflito, numa acusação que revela a verdadeira encruzilhada: ou a intensificação militar é moeda de troca para forçar conversas, ou ela prova que a mesa de negociações simplesmente não existe.

Moscou e Kyiv intensificaram seus ataques após o verão mais letal do conflito desde a invasão russa de 2022. Os números falam sozinhos: a capacidade destrutiva cresceu, mas as propostas políticas desapareceram. Lavrov, em declaração que ecoa a frustração russa com a postura ocidental, afirmou que a Europa está "de pé no caminho" dos esforços para acabar com a guerra. A acusação é calculada: sugerir que Moscou quer conversar, mas o Ocidente não deixa.

O problema é que ações falam mais que palavras diplomáticas. Quando Rússia e Ucrânia aumentam os bombardeios precisamente quando alguém fala em negociações, cabe a pergunta óbvia: estão usando a violência para fortalecer sua posição à mesa, ou estão lutando porque não há mesa nenhuma? Os dois lados podem estar dizendo ao mesmo tempo "queremos negociar" e "vamos vencer", e na prática escolhendo o segundo.

A reunião entre os ministérios das Relações Exteriores de Alemanha e Rússia, primeiro encontro desde a invasão, sinaliza que algum nível de diálogo persiste nos bastidores. Mas diálogo sobre o quê? Sobre como dividir o território? Sobre retiradas? Sobre garantias de segurança? Nenhum desses temas avançou enquanto os drones continuam caindo.

Lavrov culpa a Europa, Berlin culpa Moscou, Kyiv diz que negocia apenas de posição de força. Enquanto isso, a guerra segue sua lógica própria: cada ataque é uma mensagem cifrada de que o lado que o executa não vê razão para parar. A campanha militar do verão não é um desvio das negociações, é o próprio estado das negociações. Silencioso, violento, sem fim à vista.

Por que importa: A Ucrânia é fornecedora de grãos e fertilizantes que chegam à mesa dos brasileiros através de cadeias globais. Toda ofensiva russa que bloqueia portos ucranianos ou danifica infraestrutura agrícola empurra preços de alimentos para cima. Enquanto a guerra não tiver uma trajetória clara (vitória, derrota ou acordo), essa pressão inflacionária segue pressionando o bolso do brasileiro, especialmente quem depende de itens básicos. A economia brasileira também sofre com a volatilidade do mercado de energia: petróleo e gás desabam quando a Ucrânia está em trégua (como sinalizava a diplomacia) e sobem quando a guerra estufa (como agora). Cada ciclo de escalada militar aqui muda o preço que o Brasil paga pela energia lá embaixo.

Fontes