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Egito alertou Netanyahu dias antes do 7 de outubro, e foi ignorado

ORIENTE MÉDIO
Egito alertou Netanyahu dias antes do 7 de outubro, e foi ignorado

O chefe de inteligência do Egito, Abbas Kamel, telefonou para Benjamin Netanyahu dias antes do ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023 para avisar sobre sinais de um assalto iminente vindo de Gaza. O alerta egípcio foi ignorado, segundo revelação publicada pelo Haaretz e The Wall Street Journal, citando funcionários de um governo árabe. A ligação não foi a primeira: o Egito havia enviado advertências anteriores que também não foram levadas a sério por autoridades israelenses.

A revelação emerge em um momento delicado para Netanyahu. O primeiro-ministro israelense é réu na Corte Penal Internacional acusado de crimes de guerra e contra a humanidade. O histórico de alertas ignorados antes do maior ataque da história moderna de Israel abre frente política interna sobre sua responsabilidade: se avisos de inteligência credível chegaram e foram desconsiderados, a questão sobre quem falhou, e por quê, ganha contornos que vão além da segurança militar.

O Egito compartilha uma longa fronteira com Gaza e mantém canais de inteligência com grupos palestinos. Historicamente, o Cairo coloca-se como intermediário em negociações entre Israel e Hamas, o que lhe dá acesso a informações sobre movimentações em Gaza. Que Abbas Kamel tenha escalado o aviso diretamente a Netanyahu sugere que o Egito percebeu uma ameaça genuína e tentou usar sua credibilidade para ser ouvido.

Não está claro por que o aviso foi descartado. Israel sofreu ataques de grupos palestinos antes, e avisos sobre possíveis ofensivas não são raros. Possível explicação: autoridades israelenses podem ter subestimado a magnitude e coordenação que o Hamas conseguiria desfechar, ou priorizaram outras ameaças. O fato é que em 7 de outubro, militantes do Hamas cruzaram a barreira de Gaza, mataram cerca de 1,2 mil pessoas e capturaram reféns, desencadeando a guerra que deixou dezenas de milhares mortos.

A ligação do Egito não foi isolada. Segundo o Haaretz e o Wall Street Journal, avisos foram feitos por vários canais governamentais nos meses anteriores ao ataque. Nenhum deles resultou em mobilização defensiva proporcional. A questão que emerge agora é institucional: por que inteligência credível não converteu em ação?

Por que importa: A crise geopolítica no Oriente Médio afeta diretamente o Brasil. Conflitos na região impactam o preço do petróleo que abastece o país, influenciam a inflação e mexem no dólar. Além disso, o Brasil tem presença diplomática na região e, como membro do conselho de direitos humanos da ONU, é chamado a comentar violações de direito internacional que acontecem em Gaza. Se Netanyahu enfrentar questionamentos sobre sua conduta pré-ataque, isso mexe com a dinâmica política israelense e, por extensão, com as negociações de cessar-fogo que o Brasil e outros países monitoram.

Fontes