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Coreia do Norte acelera corrida armamentista enquanto Ocidente se distrai

INDO-PACÍFICO
Coreia do Norte acelera corrida armamentista enquanto Ocidente se distrai

Kim Jong-un supervisionou o lançamento de um míssil estratégico de alcance intermediário e pediu esforços contínuos para fortalecer a capacidade de dissuasão militar da Coreia do Norte. O teste não é um fato isolado: é a resposta de Pyongyang a um cenário em que os Estados Unidos e seus aliados se dividem entre a guerra na Ucrânia e a instabilidade no Oriente Médio. Quando a atenção ocidental se espalha, países como a Coreia do Norte enxergam espaço para avançar seus programas armamentistas sem interferência imediata.

A lógica por trás dos testes de Kim é simples: o regime acredita que, enquanto Washington e Tóquio estão preocupados com crises distantes, há mais liberdade para modernizar o arsenal nuclear e os sistemas de lançamento. A Coreia do Sul aumentou investimentos em defesa, assim como o Japão, ambos alertados pelo fantasma de um Kim mais armado. Mas a corrida de rearmamento regional não começou ontem. Desde o abandono das negociações nucleares entre EUA e Coreia do Norte em 2019, Pyongyang acelerou sistematicamente seus testes e investimentos.

O regime justifica os testes como respostas legítimas a ameaças externas. Segundo Kim, o objetivo é "fortalecer a dissuasão de guerra", ou seja, acumular poder militar de modo a desencorajar qualquer ataque pelo temor de retaliação devastadora. Na prática, isso significa mísseis cada vez mais sofisticados e um arsenal nuclear em expansão. A comunidade internacional critica os testes como violações de resoluções das Nações Unidas, mas as pressões diplomáticas há anos perderam força.

O dilema para os aliados ocidentais é real. Soluções para a Ucrânia, crises no Golfo Pérsico e agora o caos em Gaza consomem recursos militares, orçamentos de defesa e atenção política. Enquanto isso, a Coreia do Norte trabalha em ritmo acelerado. Testes de hipersônicos (mísseis que atingem velocidades extremas e são difíceis de interceptar) sugerem que Pyongyang avança em tecnologias críticas. A corrida não é só armamentista, é também uma aposta de paciência: quem consegue investir e inovar mais rápido quando o cenário global é caótico?

Tóquio e Seul, os vizinhos mais vulneráveis, já responderam. A Coreia do Sul investiu bilhões em sistemas antimíssil e modernizou sua frota aérea. O Japão reviu sua postura defensiva e aumentou orçamentos militares pela primeira vez em décadas. Mas acompanhar Pyongyang é como tentar alcançar um alvo em movimento: quanto mais Kim testa, mais os aliados gastam, e quanto mais eles gastam, mais o regime sente pressão para não ficar para trás.

Por que importa: O Brasil não está na trincheira dessas tensões, mas vive indiretamente as consequências. Quando Coreia do Sul, Japão e outros países da Ásia investem mais em defesa, desviam recursos da economia civil. Isso impacta a demanda global por commodities e pode pressionar os preços de minérios que o Brasil exporta. Além disso, instabilidade na península coreana aumenta o risco geopolítico global, o que torna o dólar mais procurado como moeda de segurança, encarecendo crédito e afetando a inflação brasileira. Um mundo mais fragmentado em blocos militares torna a diplomacia comercial brasileira mais difícil.

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