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Fim da "lua de mel": por que a queda de Assad não salvou a Síria

ORIENTE MÉDIO
Fim da "lua de mel": por que a queda de Assad não salvou a Síria

A euforia que tomou as ruas de Damasco no final de 2024 quando Bashar al-Assad caiu já desapareceu. Treze anos após o início da guerra civil, os sírios enfrentam agora um dilema que nenhuma revolução resolve sozinha: o colapso econômico e a falta de segurança. Pesquisadores do Middle East Institute, centro de estudos norte-americano sobre a região, alertam que a "lua de mel" da transição terminou, e a Síria segue como território frágil capaz de desestabilizar todo o Oriente Médio.

O quadro é grave. Protestos tomaram ruas em setembro após a alta dos preços do combustível, com sírios bloqueando estradas em cidades como Maarat al-Numan para cobrar melhorias. "A lua de mel estava destinada a acabar. As expectativas das pessoas iam subir, e sua paciência ia diminuir se essas expectativas não fossem atendidas", disse Charles Lister, pesquisador sênior do instituto, em entrevista à CNN. O recado é simples: esperança não paga conta.

A economia síria é um escombro. Treze anos de guerra destruíram fábricas, rodovias, portos e a moeda local perdeu valor vertiginoso. O dólar disparou, tornando importações caríssimas. Combustível, alimento, medicamento: tudo ficou fora do alcance. O governo provisório de Damasco herda um país sem capacidade de arrecadação, infraestrutura destruída e população faminta. Reconstruir leva décadas, não meses.

Além da economia, a segurança continua precária. Grupos armados extremistas ainda operam em bolsões do território sírio, e a máquina estatal foi praticamente desmontada durante a guerra. A transição política é frágil: há disputa por poder entre diferentes facções, e ninguém garante que ordem e lei se consolidem em breve. Se o caos prevalecer, a Síria vira novamente um vácuo onde milícias e redes criminosas crescem.

Por que importa: a Síria fica na encruzilhada de rotas de petróleo e gás do Oriente Médio. Se a instabilidade aumentar, há risco de interrupção de suprimentos que passam pela região e de escalada de tensões entre potências regionais (Irã, Arábia Saudita, Israel, Turquia). Quando o barril sobe por turbulência no Oriente Médio, o diesel sobe no Brasil, a inflação aperta o bolso do brasileiro e empresas pagam mais para importar. Além disso, conflitos na Síria alimentam fluxos de refugiados que afetam a segurança e a política de países aliados do Brasil. Assim, não é uma crise só síria, é um lembrete de como cacos de impérios podem gerar ondas que chegam longe.

Fontes