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Frete caro: quando o custo de transportar o petróleo pesa um terço do barril

ENERGIA
Frete caro: quando o custo de transportar o petróleo pesa um terço do barril

Os custos de frete marítimo para transportar petróleo chegaram a um terço do valor do próprio barril, segundo ministros de energia ouvidos pela plataforma Investing Nigeria. O número é alto o suficiente para mudar a lógica do mercado: o preço do combustível no posto deixa de ser definido apenas pela oferta e demanda de óleo bruto e passa a carregar, também, o custo de rotas mais longas e zonas de conflito.

O aumento não veio do nada. Os ataques do grupo Houthi, no Iêmen, contra navios no Mar Vermelho desde o final de 2023 forçaram operadoras de transporte a desviar rotas entre Ásia e Europa. Em vez de passar pelo Canal de Suez, os navios-tanque passaram a contornar o Cabo da Boa Esperança, na ponta sul da África. A viagem adiciona milhares de quilômetros e dias de navegação. A cada volta extra no globo, o custo do frete sobe.

Existe um agravante. Quando o frete encarece, os navios disponíveis ficam mais disputados. Companhias que antes levavam petróleo do Oriente Médio para a Europa agora competem por embarcações que também atendem rotas da América do Sul, da África Ocidental e do Golfo do México. A escassez de tonelagem disponível empurra os preços do frete para cima em todas as rotas, não apenas naquelas diretamente afetadas pelo conflito.

Para países importadores de petróleo, como o Brasil, a conta é dupla. O país compra óleo bruto no exterior (sobretudo da Nigéria, Angola e Arábia Saudita para abastecer refinarias do Nordeste e do Sudeste) e também importa derivados, como o diesel. Quando o frete representa um terço do valor da carga, cada renaviação de rota, cada seguro contra risco de guerra e cada dia extra no mar se somam ao custo final que o distribuidor paga.

Por que importa: o frete marítimo é um custo invisível para o consumidor, mas ele aparece direto no preço da bomba e no valor do diesel que move os caminhões no Brasil. Cada centavo a mais no transporte do barril vira centavo a mais no quilo do alimento no supermercado. Enquanto os conflitos no Mar Vermelho persistirem, os brasileiros vão continuar pagando, sem perceber, por uma rota mais longa e mais perigosa no outro lado do mundo.

Fontes