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Oriente Médio·2 min de leitura

Gaza: um ano de "cessar-fogo" e um palestino morto ou ferido a cada 90 minutos

ORIENTE MÉDIO
Gaza: um ano de "cessar-fogo" e um palestino morto ou ferido a cada 90 minutos

O chamado cessar-fogo em Gaza completou um ano no dia 10 de outubro de 2026, mas mais de 100 organizações de direitos humanos e ajuda humanitária disseram que o acordo existe "apenas no nome". Enquanto os bombardeios israelenses continuam na Faixa de Gaza, a violência de colonos judeus na Cisjordânia ocupada interrompeu a colheita de azeitonas, um dos pilares econômicos da região. Duas frentes, um mesmo diagnóstico: o acordo formal não trouxe proteção real para os palestinos.

A organização Islamic Relief calculou que, desde que o cessar-fogo entrou em vigor, forças israelenses mataram ou feriram um palestino em Gaza a cada 90 minutos, em média. O número desmonta a ideia de que a trégua trouxe qualquer redução significativa de violência ao enclave. Bombardeios aéreos, operações terrestres e ataques a infraestrutura continuam fazendo parte do cotidiano de uma população já devastada por mais de dois anos de conflito.

Na Cisjordânia, o cenário não é de calmaria, mas de outra forma de pressão. Colonos israelenses, amparados pela presença militar do Estado de Israel no território ocupado, promoveram ataques contra agricultores palestinos durante a temporada de colheita de azeitonas. Os pogroms, como foram descritos, impediram famílias de acessar suas próprias terras e destruíram parte da produção. A azeitona é muito mais do que um produto agrícola na Cisjordânia: é fonte de renda, tradição e resistência para comunidades rurais palestinas.

O que os dois episódios revelam, juntos, é um padrão. O cessar-fogo de Gaza serviu como vitrine diplomática, mas não alterou a dinâmica territorial e militar sobre o terreno. A pressão sobre os palestinos não diminuiu: ela se deslocou. Em Gaza, segue por meio de bombardeios. Na Cisjordânia, avançou pela intimidação de colonos contra comunidades rurais, em uma espansão de assentamentos que, segundo o direito internacional, são ilegais.

O modelo de assentamento na Cisjordânia funciona como uma estratégia de ocupação progressiva: cada colheita impedida, cada família deslocada, cada oliveira arrancada reduz o espaço físico e econômico dos palestinos no território. Não é um efeito colateral da guerra. É um processo contínuo, que o cessar-fogo formal não apenas falhou em conter, como pode ter indiretamente facilitado, ao desviar a atenção internacional de volta para Gaza.

Por que importa: A instabilidade no Oriente Médio afeta o Brasil de forma direta. Conflitos persistentes na região pressionam os preços do petróleo no mercado internacional, e o barril mais caro se traduz em diesel, gasolina e frete mais caros no país. Além disso, o Brasil importa fertilizantes de origem árabe, e a insegurança nas rotas comerciais do Golfo e do Mediterrâneo Oriental eleva custos que chegam ao produtor rural e, por fim, à mesa do consumidor brasileiro.

Fontes