A guerra entre a Arábia Saudita e os rebeldes hutis do Iêmen voltou a esquentar e colocou o mercado de petróleo em alerta. Depois de ataques mortais ao aeroporto em Riade, a coalizão árabe liderada pela Arábia Saudita respondeu com novos bombardeios a instalações de petróleo em território controlado pelos hutis. O efeito apareceu quase de imediato nos preços do combustível, que fecharam a sessão divididos entre quem apostava na tensão militar e quem esperava mais oferta chegando ao mercado.
O que está em jogo é a capacidade da Arábia Saudita de exportar petróleo. O país é um dos maiores produtores do mundo, e qualquer ameaça a seus portos, aeroportos e campos de energia tira parte do petróleo que circula pelos oceanos. É por isso que um bombardeio no deserto do Iêmen consegue mexer com o preço da gasolina do outro lado do planeta: o mercado calcula que a energia saudita pode demorar mais, ou custar mais caro, para chegar.
Os hutis, grupo xiita que controla a maior parte do norte do Iêmen, já haviam atacado alvos sauditas antes, inclusive instalações de energia. A novidade é a escalada: a coalizão saudita passou a responder diretamente contra campos de petróleo, e o cenário de guerra no sul da península arábica corre o risco de se alastrar para outros países da região. Quando um conflito local ameaça virar regional, a conta sobe para todo mundo que compra combustível.
Há, porém, uma força contrária puxando o preço para baixo. Investidores apostam que um acordo entre Estados Unidos e Rússia para diesel pode liberar mais combustível de Moscou e desafogar a oferta. Essa expectativa foi grande o bastante para deixar os preços do petróleo divididos na sessão: os ataques no Golfo pressionavam para cima, o acordo de diesel puxava para baixo. O resultado foi um impasse de verdade, não uma queda ou uma alta tranquila.
O episódio mostra como o preço do petróleo é uma soma de notícias distantes que se juntam no mesmo dia. Uma bomba no Iêmen e uma negociação entre Washington e Moscou entram na mesma planilha do mercado. Quando as duas puxam para lados opostos, o preço oscila sem direção claro, e ninguém consegue prever o fechamento da semana.
Por que importa: O Brasil é um dos grandes importadores de diesel do mundo, e o diesel move caminhão, trem e ônibus aqui dentro. Quando o petróleo sobe por causa de um ataque no Golfo, essa conta chega ao preço dos alimentos e ao valor do transporte de carga nas estradas brasileiras. Ou seja, a guerra entre sauditas e hutis pode aparecer antes no preço do arroz e da entrega em casa do que na bomba da gasolina.
