O preço da gasolina nos Estados Unidos passou de quatro dólares por galão nesta semana. O salto coincide com o fechamento do Estreito de Ormuz, o corredor marítimo entre Irã e Omã por onde escoa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo. No dia 28 de maio, novos dados de inflação americanos confirmaram o que os motoristas já sentiam: os preços subiram 3,8% em doze meses, o ritmo mais rápido desde 2021.
O bloqueio acontece porque o conflito entre Israel, Estados Unidos e Irã continua sem resolução clara, e Teerã usa o estreito como instrumento de pressão. Quando navios deixam de passar, o frete encarece e seguradoras cobram mais por cada barril embarcado. É como uma fila de crédito que secou, só que aplicada ao transporte global de energia. O índice de inflação que exclui alimentos e energia também subiu 3,3%, sinal de que o aumento já contamina aluguéis, contas de luz e lazer.
Os mercados financeiros reagiram ao primeiro sinal de cessar-fogo entre Washington e Teerã. O dólar caiu para a região de 98,90 no índice DXY, que mede a moeda americana contra outras seis principais. O ouro, refúgio tradicional em momentos de incerteza, continuou subindo, porque investidores não acreditam que a trégua será duradoura. O que monitorar: se o Estreito de Ormuz reabrir nas próximas duas semanas, a inflação americana pode desacelerar antes da próxima reunião do banco central.
