A coordenação militar entre Estados Unidos e Israel atingiu nos últimos três meses um patamar inédito desde a fundação do Estado israelense em 1948. Segundo análise do Washington Institute, think tank americano especializado em política do Oriente Próximo, comandantes dos dois países passaram a operar como uma estrutura única durante a campanha contra o Irã. Amir Eshel, ex-chefe da Força Aérea Israelense, e Eliot Cohen, ex-conselheiro do Departamento de Estado americano, descreveram a integração como algo que apaga a linha entre aliança e fusão operacional.
Essa cooperação extrema não nasceu de um plano de longo prazo. Ela surgiu da necessidade. Quando o conflito direto com o Irã começou, em março, Israel descobriu que sua capacidade de defesa aérea seria esgotada em semanas sem o resuprimento contínuo de interceptadores americanos. Os Estados Unidos, por sua vez, precisavam dos dados de inteligência israelenses para mirar instalações iranianas que seus próprios satélites não haviam mapeado adequadamente. A guerra forçou uma dependência mútua que a política nunca conseguiu desenhar em tempos de paz.
O resultado prático aparece agora na mesa de negociação com o Líbano. A quarta rodada de conversas entre Israel e o governo libanês, com o Pentágono ocupando uma cadeira pela primeira vez, tem agendas opostas. Israel quer concentrar tudo no desarmamento do Hezbollah, o grupo armado xiita libanês financiado pelo Irã. O Líbano quer discutir a retirada das tropas israelenses do seu território e o fim dos bombardeios. O especialista Assaf Orion, do Washington Institute, resume o impasse: cada lado considera a pauta do outro irrelevante. O que monitorar: se a presença americana na mesa força um acordo parcial ou apenas formaliza o congelamento atual.
