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Indo-Pacífico·2 min de leitura

Putin e Xi assinam o manifesto da guerra paralela

INDO-PACÍFICO
Putin e Xi assinam o manifesto da guerra paralela

Vladimir Putin e Xi Jinping divulgaram em Pequim uma declaração conjunta que vai muito além do habitual ritual diplomático sino-russo. O documento, segundo análise da revista The Diplomat, é descrito como um manifesto de era de guerra. Não fala apenas de amizade entre os dois países. Fala de uma reorganização da ordem internacional enquanto o Ocidente está distraído com o Oriente Médio.

A lógica do encontro é oportunista no melhor sentido estratégico. Moscou precisa de cobertura econômica e diplomática chinesa para sustentar a guerra na Ucrânia, que entra em seu quarto ano consumindo recursos russos a uma velocidade insustentável sem apoio externo. Pequim precisa garantir que, se um dia tiver que confrontar os Estados Unidos no Pacífico, a Rússia não estará neutra ou, pior, alinhada com o Ocidente. A guerra do Irã ofereceu o pretexto perfeito: enquanto Washington gasta atenção e munição em Teerã, os dois governos formalizam o que antes era apenas conveniência tática.

O detalhe que importa para o resto do mundo é o que a declaração diz sobre a Ucrânia. O texto trata o conflito ucraniano não como um problema russo, mas como um teste do qual depende a credibilidade da ordem multipolar que os dois países dizem querer construir. Em termos práticos, isso significa que Pequim assume um papel mais ativo no financiamento e na blindagem econômica de Moscou. A neutralidade chinesa, que sempre foi uma ficção útil, agora foi formalmente aposentada.