Os Estados Unidos não têm munição suficiente para sustentar uma guerra prolongada contra a China. A frase, dura assim, vem de Seth Jones, presidente da área de Defesa do CSIS, o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais de Washington. Faltam mísseis de longo alcance, sistemas de defesa aérea, interceptadores e plataformas não tripuladas em quantidade compatível com um conflito de meses no Pacífico.
A causa é direta. A indústria americana de defesa foi dimensionada para guerras curtas e cirúrgicas, não para o consumo industrial que o Oriente Médio impôs nos últimos noventa dias. Cada interceptador Patriot disparado em Tel Aviv é um Patriot que não estará em Taiwan se Pequim decidir testar o limite. A cadeia de produção de mísseis Tomahawk leva dezoito meses para repor o que foi gasto em três. É como uma fila de crédito que secou: o banco continua aberto, mas o dinheiro não chega ao caixa na velocidade da demanda.
A implicação estratégica é vertiginosa. Se a China observa que o estoque americano está sendo queimado contra o Irã, o cálculo sobre o momento certo de pressionar Taiwan muda. Não se trata necessariamente de uma invasão imediata, mas de uma janela percebida de fraqueza ocidental. Analistas do CSIS estimam que reconstituir o estoque de munições de longo alcance a níveis aceitáveis para um conflito no Indo-Pacífico levaria entre dois e quatro anos, mesmo com produção acelerada. Esse é o intervalo de vulnerabilidade que Washington precisa atravessar agora.
