O custo humano de um mundo sem árbitro aparece com clareza no Sudão. O país africano vive uma guerra civil que se arrasta há anos, e agora ela ficou ainda mais difícil de encerrar. Segundo a revista Foreign Policy, a teia de atores externos envolvidos no conflito sudanês se cruza com a mesma rede de potências que disputa o Oriente Médio. Os países que financiam e armam os lados em Cartum, capital do Sudão, são em parte os mesmos que se posicionam na crise iraniana.
A lógica é a de uma mesa de negociação com gente demais e interesses opostos demais. Quanto mais as grandes potências se enfrentam em uma região, menos disposição sobra para costurar a paz em outra. Cada padrinho externo do conflito sudanês tem sua própria agenda, e essas agendas mudam conforme o tabuleiro do Oriente Médio se move. O resultado é um caminho para a paz cada vez mais tortuoso.
Sem uma potência hegemônica capaz de impor um acordo, conflitos locais perdem prazo de validade. Eles não terminam, apenas mudam de intensidade. O Sudão deixou de ser uma guerra isolada e virou medição da fragmentação do poder mundial: quando ninguém manda o suficiente para forçar um cessar-fogo, o sofrimento de civis se torna crônico.
