A relação militar entre Estados Unidos e Israel passou a ser questionada em voz alta durante a guerra com o Irã. Em um debate promovido pelo Washington Institute, instituto de pesquisa em política externa sediado em Washington, dois nomes de peso foram chamados para avaliar o que cada exército aprendeu até agora: Amir Eshel, ex-comandante da Força Aérea israelense, e Eliot Cohen, ex-conselheiro do Departamento de Estado americano. A pergunta que dá título ao episódio é direta: a parceria militar entre os dois países já atingiu seu auge?
A dúvida não surge do nada. Declarações contraditórias do presidente americano, Donald Trump, deixaram no ar se Washington pretende sustentar o esforço de guerra ou recuar. Quando o aliado mais poderoso hesita, o sócio menor precisa se reposicionar. É o que explica a guinada mais agressiva no debate de segurança israelense, tema que o Carnegie Endowment, outro centro de estudos americano, colocou em pauta com os analistas Marwan Muasher e Mairav Zonszein. A leitura deles é que Israel, diante da incerteza sobre o respaldo americano, aposta em uma postura militar mais autônoma e dura.
A Turquia, por sua vez, escolheu o caminho oposto. Segundo análise de Soner Cagaptay, do Washington Institute, a política turca em relação ao Irã é ditada antes de tudo pela vizinhança e por uma rivalidade histórica em que nenhum dos dois nunca subjugou o outro. Ancara mantém papel deliberadamente limitado na guerra, sem se alinhar de forma plena a Israel nem ao Irã. O que monitorar: se o recuo americano se confirmar, mais aliados regionais tenderão a calcular a segurança por conta própria, como já faz a Turquia.
