Um centro de inovação tecnológica em Gaza resiste à destruição sistemática promovida por Israel. A guerra matou especialistas e destruiu incubadoras que ofereciam oportunidades de trabalho a jovens palestinos. É a dimensão menos visível do conflito: a eliminação deliberada da capacidade produtiva de uma sociedade.
As incubadoras de tecnologia palestinas funcionavam como uma espécie de reserva de esperança em um território sitiado. Ofereciam a jovens formados em programação e engenharia de software uma alternativa ao desemprego crônico e à dependência de ajuda humanitária. Quando um drone israelense destrói um escritório de startups, não elimina apenas empregos, mas interrompe a trajetória de uma geração que escolheu o código como forma de resistência.
A reconstrução da infraestrutura digital de Gaza demorará anos e dependerá de investimento externo que ainda não existe. O dano vai além dos edifícios reduzidos a escombros porque o conhecimento técnico perdido com a morte de programadores e engenheiros não se recupera com cimento e aço. A eliminação da capacidade produtiva palestina segue um padrão de guerras contemporâneas em que a destruição de infraestrutura civil funciona como arma de desmobilização social.
