A resistência ucraniana está convertendo o desgaste russo em alavancagem diplomática. Segundo a revista Foreign Affairs, a Ucrânia fez avanços ao longo da linha de frente e frustrou as ofensivas russas enquanto o exército de Moscou sente o peso de uma guerra que completa três anos. O presidente Volodymyr Zelensky negocia de uma posição inesperadamente forte para quem enfrentou uma invasão em fevereiro de 2022.
O cessar-fogo se tornou uma possibilidade real porque o exército russo apresenta deterioração visível de sua capacidade de combate. Políticos russos chegaram a propor o uso de armas nucleares para forçar a rendição da Ucrânia, segundo o monitoramento de campo de fontes de segurança. A ameaça nuclear funciona como um grito de desespero de quem não consegue vencer no campo de batalha convencional.
A coalizão de apoio a Kiev começa a rachar. A Bulgária anunciou que não enviará mais armas à Ucrânia e argumentou que o país precisa de soldados, não de armamentos. A posição búlgara é um sintoma do desgaste europeu com uma guerra que não tem data para acabar. O ministro da Defesa da Bulgária expressou em voz alta o que outros governos europeus pensam em silêncio: a expectativa de que a Ucrânia substitua por recrutamento reforçado ignora a realidade demográfica de um país que já perdeu parte significativa de sua população em idade militar.
