Os Houthis permaneceram inativos durante o conflito direto entre Israel e o Irã. A milícia iemenita, apoiada financeira e militarmente por Teerã, baixou a cabeça enquanto as potências negociavam um cessar-fogo. O silêncio, no entanto, não significa rendição. O grupo armado age como uma peça de xadrez esperando o momento certo para se mover.
O Washington Institute, centro de pesquisa americano especializado no Oriente Médio, publicou uma análise afirmando que Washington não deve confundir a restrição com passividade. Os Houthis controlam o Estreito de Bab el-Mandeb, uma das rotas navais mais importantes do mundo. Pelo estreito passam navios que abastecem a Europa e a Ásia com petróleo e mercadorias. Manter o silêncio agora foi uma decisão tática do grupo para evitar a ira dos Estados Unidos durante as negociações com o Irã. Caso o acordo diplomático fracasse ou o apoio de Teerã seja cortado, a facção iemenita tem capacidade de bloquear o tráfego marítimo novamente.
O mundo continua refém de uma milícia que controla uma rota comercial vital, mesmo durante um período de trégua diplomática. Qualquer sinal de que o memorando de entendimento entre americanos e iranianos vai ruir reascende o risco de bloqueio no Mar Vermelho. O custo dos fretes navais dispararia imediatamente. A aparente calmaria iemenita é apenas uma pausa tática, financiada pela paciência de seus patrões em Teerã.
