A antiga crença de que armas nucleares impedem guerras convencionais está desmoronando. A constatação é da ex-secretária-geral adjunta da OTAN, a aliança militar ocidental liderada pelos Estados Unidos, Rose Gottemoeller. Em artigo publicado na revista Foreign Affairs, ela detalhou a falência da dissuasão nuclear, o conceito de que o medo do aniquilamento mútuo mantém a paz entre as nações. A realidade atual mostra o oposto.
Países com arsenais atômicos usam suas armas como um escudo protetor para atacar vizinhos com tropas convencionais. A Rússia de Vladimir Putin invadiu a Ucrânia mesmo sendo uma potência nuclear. A Coreia do Norte mantém uma postura agressiva contra o Sul aproveitando-se de seu arsenal atômico para evitar uma retaliação externa. O escudo nuclear garante que nenhuma potência ocidental mande tropas para enfrentar Moscou ou Pyongyang diretamente. A bomba atômica deixou de ser um instrumento de paz mundial. Funciona hoje como uma proteção para que governos authoritários faam guerra convencional sem consequências diretas.
O encolhimento do poder de intimidação das armas nucleares destrava governos dispostos a usar a força militar. A consequência prática é o surgimento de conflitos prolongados e sangrentos em zonas de fronteira. Os países sem armamento atômico, como a Ucrânia, enfrentam invasões e precisam se contentar com ajuda militar indireta. O medo da bomba não parou os tanques russos nem impediu a devastação de cidades inteiras no leste europeu.
