A cúpula do G20 em Brasília coloca na mesa um debate que até pouco tempo era coisa de potências ricas: quem manda nas regras da inteligência artificial e do crédito global. Índia, Brasil, África do Sul e outras nações em desenvolvimento estão em posição rara para impor uma agenda própria.
O timing não é acaso. A Índia tem uma população jovem e gigantesca. O Brasil cresce em startups de IA. A África do Sul preside o bloco dos Brics. Juntos, esses países têm números que os EUA e Europa não podem ignorar. Mas historicamente, quando Washington e a Europa fecham a porta, o resto do mundo fica de fora.
A discussão sobre IA é concreta: como regular a tecnologia sem engessá-la, mas também sem deixar que ela centralize poder e riqueza nas mãos de quem já é rico. Países em desenvolvimento temem ficar para trás enquanto gigantes como Google e OpenAI escrevem as regras do jogo. No plano das dívidas, o problema é direto. Muitos desses países estão quebrados porque pegaram dinheiro caro demais com juros altos, enquanto EUA e Europa refinanciam suas dívidas por centavos.
A Reserva Federal americana mantém a taxa de juros em 4,25% a 4,50% e sinaliza um possível corte em setembro, mas adia a decisão até ver mais dados de inflação. Quando os EUA cortam juros, o dinheiro fica mais barato lá dentro. Quando mantêm alto, países emergentes sofrem a pressão.
Por que importa: Se o Brasil e seus aliados não moldarem essa governança agora, pode perder uma janela histórica. Daqui a uma década, a IA será tão concentrada que será tarde demais para negociar regras. Brasileiro que quer montar startup de tecnologia pode se ver trancado por padrões que não ajudam o país. Na dívida pública, cada décimo de ponto percentual que cai ou sobe nos juros globais muda quanto o Brasil paga para refinanciar seus empréstimos, afetando direto o orçamento para saúde, educação e infraestrutura.
