A tempestade tropical Eloísa desalojou mais de 200 mil pessoas no Nordeste Pernambuco, Alagoas e Bahia enfrentam o pior. O governo decretou estado de calamidade pública em 14 municípios. No mesmo mês, o país anunciou que atraiu R$ 120 bilhões em investimentos em energia renovável, superando México e Chile no ranking global. É o paradoxo do Brasil em 2025: potência verde reconhecida internacionalmente, mas vulnerável aos efeitos do próprio fenômeno que quer combater.
Os números impressionam de um lado. Solar, eólica, hidrogênio verde projetos que fazem o país ser visto lá fora como solução climática. Investidores apostam bilhões aqui porque o Brasil tem sol abundante no semiárido, vento no litoral e capacidade hídrica. Tudo converge para um futuro descarbonizado. Só que esse mesmo Nordeste que gera energia limpa é o primeiro a sofrer com secas, enchentes e mudanças nos padrões de chuva. A transição energética é real; a proteção contra eventos climáticos extremos, não.
O problema não é contraditório é conectado. O aquecimento global intensifica tempestades e torna secas mais severas. O Nordeste, por sua geografia, é zona de risco. Enquanto o Brasil atrai dólares verdes de fora, precisa investir tanto em renovação quanto em infraestrutura de resiliência: drenagem, sistemas de alerta, casas construídas pra clima extremo. Energia limpa resolve parte do problema global; não resolve a vulnerabilidade local de quem já vive na linha de frente das mudanças.
Por que importa: A credibilidade do Brasil como potência verde depende de como o país gerencia suas próprias crises climáticas. Cada tempestade que desaloja centenas de milhares de pessoas no Nordeste enfraquece a narrativa de desenvolvimento sustentável que atrai investimento. Para o brasileiro comum, significa que o preço da eletricidade pode cair com mais energia renovável, mas cheias e secas continuam impactando emprego, preço de alimentos e custo de vida nas regiões que mais sofrem.
