A Índia se tornou a terceira maior economia do mundo em poder de compra, ultrapassando o Japão pela primeira vez. Enquanto isso, a Coreia do Sul apresentou um protótipo funcional de chip de 1 nanômetro, tecnologia tão avançada que apenas cinco países conseguem dominar. Os dois fatos traduzem a mesma mensagem: o poder econômico e militar da Ásia está se reorganizando.
O chip de 1 nanômetro é o componente mais rápido e eficiente que existe. Cabe em espaço minúsculo, consome pouca energia e processa informações quase instantaneamente. Por isso, quem domina essa tecnologia controla desde telefones até armas inteligentes e satélites. A Samsung, principal fabricante sul-coreana, anunciou que vai produzir em massa esse tipo de chip a partir de 2027.
A ascensão econômica da Índia não é mera estatística. Com PIB em paridade de poder de compra acima de 4 trilhões de dólares, o país emerge como potência capaz de investir em tecnologia de ponta. Ao mesmo tempo, aliados históricos dos Estados Unidos na região, como a Coreia do Sul, correm para não ficar para trás. Taiwan, que produz praticamente metade dos chips do mundo, fica no meio dessa disputa feroz. A pressão dos EUA para descentralizar a produção de semicondutores, afastando-a da China, criou um cenário onde cada país quer garantir sua soberania tecnológica.
A demonstração do protótipo sul-coreano não é apenas um marco científico. Mostra que a região está dividindo poder não por meio de armas convencionais, mas pelo controle de componentes eletrônicos. Quem fabrica o chip mais avançado consegue agregar mais valor em seus produtos e, consequentemente, mais influência geopolítica.
Por que importa: O Brasil importa praticamente todos os semicondutores que consome. Se a tensão na Ásia aumenta e a produção fica mais concentrada em poucos países, os preços sobem. O resultado chega ao Brasil na forma de aparelhos mais caros: desde smartphones e computadores até máquinas agrícolas e equipamentos médicos. Uma possível ruptura no acesso a esses chips também poderia afetar a indústria brasileira de tecnologia, que já enfrenta desafios de competitividade global.
