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Sanções à Rússia e a moeda do BRICS: a briga pelo fim do domínio do dólar

GEOPOLÍTICA
Sanções à Rússia e a moeda do BRICS: a briga pelo fim do domínio do dólar

A União Europeia aprovou nesta semana seu 14º pacote de sanções contra a Rússia, mirando navios fantasma que contornam bloqueios de petróleo. Ao mesmo tempo, o Brasil prepara uma cúpula do BRICS para discutir uma moeda própria que escape do controle americano. São dois lados de uma mesma guerra: o Ocidente tenta isolar a Rússia cortando acesso ao sistema financeiro internacional, enquanto países como Brasil, Rússia e China criam alternativas para não depender do dólar em futuras crises.

As sanções europeias vão além do óbvio. Não é só bloquear venda de petróleo russo. É apertar a câmara de ar do sistema financeiro global que passa pelo dólar e pelo SWIFT, a rede que move trilhões de dólares entre bancos todos os dias. Quando o Ocidente corta a Rússia dessa rede, Moscou fica praticamente desconectada do comércio internacional. Mas essa arma tem um custo: mostra a todos que o dólar pode ser usado como arma política.

Por isso o BRICS mexe. Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul faturam centenas de bilhões vendendo minério, comida, petróleo para o mundo inteiro. Hoje recebem em dólar. Se conseguissem negociar em outra moeda, ficariam blindados contra esse tipo de bloqueio. A cúpula em São Paulo vai discutir mecanismos de pagamento que permitam transações entre membros sem depender do dólar. Não é fácil criar uma moeda nova que o mundo aceite, mas é isso que está em jogo.

O detalhe crucial: essa disputa não é ideológica. É sobre quem controla o dinheiro global. O Ocidente usa sua dominância financeira como poder político. O BRICS quer reduzir esse poder. A Europa e os EUA conseguem sancionar porque o dólar é a moeda padrão mundial. Se o BRICS conseguisse uma alternativa real, futuros bloqueios ficariam muito mais frágeis.

Por que importa: o Brasil vende toneladas de soja, minério de ferro e café cobrando em dólar. Se o BRICS conseguir criar um sistema de pagamentos em outra moeda, o país ganha liberdade para negociar sem ficar refém do sobe-e-desce da cotação americana. Não é mudança que chega amanhã no preço da gasolina ou do pão. Mas mostra que a economia mundial está se reorganizando, e o Brasil está em uma posição rara: nem alinhado totalmente com o Ocidente nem com a Rússia, mas sentado à mesa onde as regras do jogo financeiro global estão sendo reescritas.

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