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Oriente Médio·3 min de leitura

Dois conflitos, uma mesma tensão: cessar-fogo no Oriente Médio, corrida armamentista na Ásia e fome no Sudão

ORIENTE MÉDIO
Dois conflitos, uma mesma tensão: cessar-fogo no Oriente Médio, corrida armamentista na Ásia e fome no Sudão

A Coreia do Norte lançou um míssil balístico intercontinental no Mar do Japão nesta semana, em resposta direta aos exercícios militares conjuntos entre Estados Unidos e Coreia do Sul. Enquanto isso, mediadores egípcios e cataris tentam costurar no Cairo um acordo de cessar-fogo de 60 dias entre Israel e Hamas, com troca de reféns em discussão. No Sudão, a Organização das Nações Unidas declarou a maior crise humanitária do planeta: 25 milhões de pessoas enfrentam fome severa.

Os exercícios militares que provocaram Pyongyang envolvem tropas americanas e sul-coreanas em simulações de combate consideradas as maiores dos últimos anos. Para o regime norte-coreano, essas manobras são ensaio de invasão. O lançamento do míssil de longo alcance funciona como demonstração de força: Pyongyang quer mostrar que tem capacidade de atingir alvos distantes e não aceita pressão militar silenciosamente. A Coreia do Norte já realizou dezenas de testes semelhantes, mas o momento é particularmente tenso porque envolve a aliança militar ocidental liderada pelos EUA na Ásia.

No Oriente Médio, o cenário é inverso: há tentativa de saída para o confronto. Mediadores no Cairo buscam um cessar-fogo temporário de dois meses que permita a troca de reféns israelenses por prisioneiros palestinos. O Hamas e o governo de Israel mantêm posições distantes, mas a mediação egípcia e catari segue ativa. O Egito é o país vizinho a Gaza e controla a fronteira sul do território, enquanto o Catar é o pequeno e rico emirado do Golfo Pérsico que mantém canais de diálogo com grupos palestinos. Ambos desempenham papel central na diplomacia regional.

Já o Sudão vive um drama que quase não ocupa manchetes. O país africano mergulhou em uma guerra civil quando duas facções militares rivais entraram em confronto armado: as Forças Armadas Sudanêses (SAF), leais ao general Abdel Fattah al-Burhan, e os Paramilitares Forças de Apoio Rápido (RSF), comandados pelo general Mohamed Hamdan Dagalo. O conflito entra no terceiro ano sem perspectiva de acordo e a ajuda internacional tem sido insuficiente diante da dimensão da catástrofe. A fome se espalha por regiões inteiras e o deslocamento de populações agrava o colapso de serviços básicos.

Juntos, os três episódios revelam um mundo simultaneamente em guerra e em busca de trégua. Na Ásia, a corrida armamentista acelera; no Oriente Médio, a diplomacia tenta frear o sangue; na África, a guerra já virou emergência de fome em escala raramente vista. O diretor de operações humanitárias da ONU, Edem Wosornu, resumiu a dimensão da tragédia sudanesa ao afirmar que a situação é "uma catástrofe que não deveria existir". São frentes distintas de uma mesma instabilidade global, onde a força militar e a negociação diplomática disputam o rumo dos próximos capítulos.

Por que importa: conflitos armados em qualquer parte do mundo empurram o preço de commodities para cima e alimentam a inflação global, o que pressiona custos no Brasil. Mais especificamente, o teste norte-coreano eleva a tensão entre grandes potências na Ásia, região de onde vem boa parte dos semicondutores e componentes eletrônicos que abastecem a indústria brasileira. Distúrbios nessas cadeias produtivas encarecem produtos de tecnologia e veículos no país. Já a crise de fome no Sudão afeta rotas comerciais no continente africano e desvia recursos de ajuda humanitária, com impacto direto em missões brasileiras de cooperação e na estabilidade de parceiros econômicos do Brasil na África.

Fontes