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OTAN promete €40 bilhões à Ucrânia, mas a Europa perde fôlego econômico

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OTAN promete €40 bilhões à Ucrânia, mas a Europa perde fôlego econômico

A OTAN, aliança militar ocidental liderada pelos Estados Unidos, confirmou nesta semana um pacote de apoio de 40 bilhões de euros à Ucrânia. O compromisso garante ajuda de longo prazo ao país em guerra contra a Rússia. A promessa, no entanto, chega num momento delicado: a Europa, principal base de apoio a Kiev, vê seu motor econômico enguiçar. A Alemanha entrou em recessão técnica pelo segundo trimestre seguido.

A recessão técnica acontece quando a economia de um país encolhe por dois trimestres consecutivos. É o caso alemão agora. O país era o grande exemplo de eficiência industrial europeia. Hoje, sua indústria automotiva afunda. A causa é dupla e difícil de resolver. O custo da energia subiu muito desde que o gás barato da Rússia deixou de ser uma opção confiável. Ao mesmo tempo, a população está envelhecendo rapidamente, o que reduz a força de trabalho disponível.

A energia cara não pesa só no bolso do consumidor europeu. Ela mina a base produtiva de toda a região. Fábricas gastam mais para produzir o mesmo. Isso reduz a competitividade dos produtos europeus no mundo e freia investimentos. Sem crescer, os governos arrecadam menos impostos. Sustentar o esforço de guerra em Kiev passa a exigir uma ginástica fiscal cada vez mais complexa dos líderes europeus.

A dificuldade econômica do continente cria rachaduras políticas na aliança. O apoio à Ucrânia exige unidade, mas nem todos estão convencidos. A Hungria, por exemplo, mantém reservas sobre o pacote de ajuda. O governo húngaro tem se mostrado relutante em ampliar o apoio militar a Kiev, o que obriga os demais países da OTAN a negociar concessões para manter o bloco unido.

O resultado é um cenário de tensão constante. A Europa precisa garantir que a Ucrânia não colapse militarmente diante da ofensiva russa. Ao mesmo tempo, precisa convencer seus próprios cidadãos de que o custo vale a pena. Com a indústria enfraquecida e a inflação ainda latejando, o espaço para o aquecimento da economia encolhe. Oapoio à guerra acontece, portanto, com o freio de mão puxado.

Por que importa: quando a Europa espirra em termos econômicos, o Brasil sente o resfriado. A Alemanha é um dos principais compradores de produtos industriais brasileiros e um investidor importante no país. Uma recessão alemã reduz compras e investimentos por aqui. Além disso, a instabilidade econômica na Europa alimenta a fuga para o dólar, o que faz a moeda americana ficar mais cara e desvaloriza o real, pressionando a inflação brasileira.

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