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Davos alerta: guerras tarifárias ameaçam dividir o mundo em blocos econômicos estanques

ECONOMIA
Davos alerta: guerras tarifárias ameaçam dividir o mundo em blocos econômicos estanques

O Fórum Econômico Mundial, realizado na cidade suíça de Davos, terminou com um aviso direto dos principais líderes globais: o mundo corre o risco de se fragmentar em blocos econômicos rivais. O temor central é que a escalada de guerras comerciais, especialmente entre Estados Unidos e China, descarrile o crescimento do comércio global e force cada país a escolher lados.

A diretora-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Ngozi Okonjo-Iweala, levou a Davos números que preocupam os governos. A entidade projeta que o comércio global deve crescer 3,3% em 2024. O percentual parece positivo à primeira vista, mas representa uma desaceleração em relação ao ritmo de anos anteriores. A própria OMC calcula que a divisão do planeta em dois grandes polos comerciais separados causaria uma perda de 5% em toda a riqueza produzida no mundo.

A raiz desse alerta está em uma disputa muito concreta entre as duas maiores economias do planeta. Os Estados Unidos vêm aplicando taxas de importação altíssimas sobre produtos chineses desde a gestão de Donald Trump. O governo de Joe Biden não apenas manteve a maioria dessas barreiras tarifárias, como também adicionou restrições severas à venda de tecnologia avançada para a China. O objetivo estadunidense é claro: dificultar o avanço tecnológico e industrial do rival asiático.

A resposta de Pequim veio na mesma moeda. A China impôs barreiras próprias e passou a direcionar seus investimentos internos para diminuir a dependência de tecnologia estrangeira. "A fragmentação da economia global é a maior ameaça à recuperação do comércio", alertou Ngozi Okonjo-Iweala durante os debates na Suíça. Para a diretora da OMC, quando as nações abandonam as regras de livre comércio para adotar políticas de proteção à indústria própria, todos os países perdem.

Na prática, essa divisão estanque afeta profundamente a cadeia de produção. Uma empresa que antes comprava peças baratas da Ásia e software norte-americano precisa reorganizar toda a sua logística. Sempre que um produto cruza uma fronteira e paga um imposto extra na forma de tarifa, ele chega mais caro à loja. O fluxo natural de compra e venda entre nações fica engessado e a inovação tecnológica perde velocidade por causa das barreiras políticas.

Outro lado debatido em Davos foi o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho. Especialistas e governantes temem que a automação substitua milhares de funções administrativas muito rápido, deixando trabalhadores desempregados antes que a economia consiga reabsorvê-los. Esse medo no mercado laboral se soma à insegurança econômica gerada por um comércio mundial que cresce em ritmo mais lento e caro.

Por que importa: a divisão do mundo em blocos comerciais sufoca a economia de países emergentes que dependem de vender produtos no exterior. O Brasil exporta enormes quantidades de carne, soja e minério, e precisa de um mercado global aberto e funcionando. Se os Estados Unidos e a China fecharem suas fronteiras para produtos de países aliados, a soja brasileira perde espaço e o agronegócio nacional fatura menos dólares. Com menos dólares entrando no país, o câmbio dispara e o preço da gasolina, dos fertilizantes e dos equipamentos importados sobe, apertando o orçamento das famílias brasileiras e alimentando a inflação.

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