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Fome e clima: como o Brasil transforma agendas globais em poder diplomático

BRASIL
Fome e clima: como o Brasil transforma agendas globais em poder diplomático

O Itamaraty coordena uma missão da Organização das Nações Unidas (ONU) com 12 países africanos para garantir segurança alimentar na África Subsaariana. Ao mesmo tempo, o governo brasileiro fechou parcerias com 40 nações rumo à COP30, a conferência climática que acontece em novembro em Belém. Juntas, as duas iniciativas mostram como o Brasil usa a crise climática e a fome para ganhar peso político no mundo.

Na frente africana, a iniciativa leva tecnologia agrícola sustentável a países que enfrentam secas severas e baixa produtividade no campo. É uma cooperação direta: o Brasil compartilha o conhecimento que desenvolveu para plantar no cerrado seco e oferece técnicas de cultivo adaptadas a climas áridos. Segundo o embaixador Carlos Fausto, secretário de cooperação do Itamaraty, "levamos a tecnologia que dominamos para resolver um problema urgente na África e fortalecemos laços comerciais que beneficiam ambos os lados". A missão também ajuda o país a construir aliados para votações decisivas em fóruns internacionais.

Na pista climática, a diplomacia brasileira acelera os trabalhos rumo à conferência em Belém. O foco principal das parcerias com as 40 nações é garantir o financiamento para a preservação de florestas tropicais. O Brasil quer criar regras claras para que países ricos pagem de fato por manterem suas florestas em pé. Para o ministro do Meio Ambiente, Marina Silva, a conferência no Pará "será o momento de transformar compromissos antigosem dinheiro real para quem protege a natureza". O esforço conjuga a experiência brasileira de manejo da Amazônia com os interesses de nações como Indonésia e República Democrática do Congo, os outros dois grandes abrigos de florestas do planeta.

Na prática, essa atuação transforma dois problemas cotidianos em ferramentas de negociação internacional. O país posiciona o seu agronegócio, setor que responde por quase metade das exportações nacionais, como solução global para a segurança alimentar. Em paralelo, coloca a floresta amazônica no centro das discussões sobre o clima, sempre buscando atrair investimentos estrangeiros para a economia verde.

Por que importa: as duas frentes diplomáticas abrem portas diretas para o fortalecimento da economia brasileira. As parcerias africanas ampliam o mercado comprador de fertilizantes, sementes e maquinário agrícola fabricados no Brasil. Já a agenda climática coloca o país em posição privilegiada para captar fundos verdes internacionais. Esses recursos financiariam a preservação ambiental e o desenvolvimento de indústrias limpas no território nacional, movimentando investimentos reais para o país.

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