A Coreia do Norte testou nesta semana o Hwasong-19, seu mais novo e poderoso míssil de longo alcance, enquanto a China avança no espaço com o satélite Micius-2. Juntas, as duas manobras revelam uma ofensiva coordenada em duas frentes contra a influência dos Estados Unidos na Ásia. De um lado, foguetes que ameaçam cidades distantes. Do outro, tecnologia de ponta para tornar as comunicações militares chinesas literalmente inquebráveis.
O teste do míssil norte-coreano provocou imediata comoção internacional e forçou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). O lançamento confirma a intenção de Pyongyang de manter um arsenal capaz de intimidar seus vizinhos. Japão e Coreia do Sul condenaram a provocação com firmeza. Um porta-voz do governo japonês classificou o ataque como "uma ameaça grave e iminente à paz regional". A tensão na península coreana se encaixa no contexto mais amplo de uma região cada vez mais militarizada.
Enquanto a Coreia do Norte aposta no poder de fogo bruto, a China investe no domínio da informação. O novo satélite Micius-2 amplia uma ambiciosa rede de comunicação quântica. A tecnologia usa princípios da física para transmitir dados de forma absolutamente segura. Se alguém tentar interceptar a mensagem, o sinal se destrói instantaneamente, garantindo o controle total das informações pelo comando militar de Pequim. O objetivo final é blindar as forças armadas chinesas contra qualquer espionagem cibernética estrangeira.
Esses movimentos preocupam especialmente os Estados Unidos, que respondem historicamente pela segurança militar de países aliados da região, como Japão e Coreia do Sul. O combinar de armamentos pesados com tecnologia de comunicação impenetrável desafia de frente a liderança americana no chamado Indo-Pacífico, a vasta área estratégica que vai da costa leste da Ásia até a Oceania. A resposta de Washington tem sido reforçar sua presença naval no Pacífico, elevando o custo e o risco de qualquer equívoco entre as grandes potências.
O nervosismo militar ocorre em meio a um cenário econômico globalmente interligado e sensível. A Organização Mundial do Comércio (OMC) projeta um crescimento de 3,3% no comércio global para 2025. O número anima, mas carrega um risco gigantesco. Tarifas retaliatórias entre EUA e China podem estagnar o fluxo de mercadorias a qualquer momento, travando a economia mundial. Quando a tensão política e militar sobe entre as duas maiores potências do planeta, o comércio é sempre o primeiro a sofrer o impacto.
Por que importa: a Ásia é o principal destino das exportações brasileiras de soja e carne, e qualquer interrupção no livre comércio por lá afeta diretamente o agronegócio e a balança comercial do Brasil. Além disso, o clima de guerra fria na região faz investidores migrarem para ativos seguros, o que faz o dólar subir. Um dólar mais caro encarece as importações de insumos e pressiona a inflação interna, impactando o preço de fertilizantes agrícolas e de produtos manufaturados nos supermercados brasileiros.
